‘Livre Negociação’ na Amanco, em Sumaré, tem força policial contra trabalhadores

A greve na Amanco, em Sumaré, iniciada no último dia 2 de maio, já está sendo um teste para os trabalhadores da região de Campinas em relação à proposta de Reforma Trabalhista, aprovada recentemente na Câmara dos Deputados, que institui a chamada “livre negociação”.

Nesta manhã, a porta da Amanco/Mexichem amanheceu com várias viaturas da Polícia Militar (PM) e da Guarda Municipal (GM). Segundo o Sindicato dos Químicos Unificados, a polícia foi acionada pela empresa para tenta intimidar os trabalhadores que mantêm a greve. A pauta de reivindicações que foi entregue à empresa na semana passada.

“A greve é um direito garantido pela Constituição para que os trabalhadores e as trabalhadoras possam lutar de maneira organizada e unitária por melhores condições de trabalho”, anotou o sindicato. No entanto, a empresa acionou a PM e GM , ou seja, força policial mantida com recursos pagos por toda a população, para fazer pressão e defender o funcionamento da fábrica contra a paralisação.

A Reforma Trabalhista aprovada, apesar de prever a “livre negociação”, não proíbe empresas de usar o aparato do Estado contra os funcionários.

De acordo com o sindicato, a presença de cerca de 10 viaturas da PM e GM no local representa prejuízo à população de Sumaré, pois guardas e policiais deveriam estar cuidando da segurança pública e patrimonial da cidade e não constrangendo trabalhadores.

“Aqui na porta da fábrica não tem nenhum bandido. Somos trabalhadores e estamos em greve por melhores condições de trabalho. Não há sentido nenhum para a presença destes policiais aqui”, destaca a dirigente sindical Rosangela Paranhos.

Os dirigentes sindicais denunciam ainda que a área de recursos humanos, que deveria avançar com as negociações para o encerramento da greve, está assediando moralmente trabalhadores para que desistam da paralisação. Esse tipo de conduta configura prática antissindical e fere o direito dos trabalhadores de manterem a greve até a conquista de suas reivindicações.

Na tarde de sexta-feira (5/5), a Mexichem/Amanco chamou os dirigentes sindicais para negociação, porém na avaliação dos trabalhadores foi de que a proposta não apresentou avanços suficientes e por isso a greve foi mantida pela categoria.

Entre os principais pontos reivindicados pelos funcionários da Amanco está o pagamento de uma cesta básica no valor de R$ 300 e o fim da jornada 6×2.

O sindicato ressalta que a jornada foi imposta sob pressão e que prejudica a qualidade de vida das trabalhadoras e dos trabalhadores, uma vez que coloca os funcionários para trabalhar aos finais de semana e a usufruir folga nos dias comuns.

Além disso, a pauta defende o Programa de Participação dos Resultados (PPR) mínimo de R$ 2 mil em 2017, convênio médico e odontológico sem descontos, fim do desvio de função, do assédio moral e da pressão para aceitação de jornada em feriados, além de outros pontos.

A Amanco pertence à multinacional mexicana Mexichem maior produtora de resinas de PVC na América Latina, teve um lucro líquido de R$ 2,7 bilhões em 2016. A fábrica em Sumaré produz tubos e conexões e conta com cerca de 500 trabalhadores. É uma das sete unidades da multinacional no Brasil.

OutrosLados– Veja a posição da empresa Mexichem do Brasil.

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