Exposição reúne textos e fotos que contam a história do comunismo no Brasil

Comício de Prestes no Teatro Municipal

O Museu da Imagem e do Som de Campinas recebe a partir do dia 28 de março (terça-feira) a exposição “95 anos do Comunismo no Brasil” idealizada pela Fundação Maurício Grabois. A mostra traz 36 banners contendo textos e fotos que narram a história desta organização política prestes a completar 100 anos de atuação ininterrupta em nosso país.

A primeira versão desta exposição, tratando exclusivamente da história nacional do PC do Brasil, ocorreu no Congresso Nacional em março de 2012. Foi resultado de anos de pesquisa. Entre os seus elaboradores esteve Wladimir Sachetta – um dos principais pesquisadores de imagens do país, chefe de pesquisa da coleção Nosso Século da editora Abril Cultural.

A nova edição da exposição traz duas novidades. A primeira delas é que foi atualizada até 2017, perfazendo os 95 anos da história do PCdoB. A segunda é que foram acrescentados oito banners tratando especificamente da trajetória dos comunistas em Campinas entre 1945 e 2002. Esta última parte, elaborada por um grupo de pesquisadores de cidade, traz imagens pouco conhecidas, como os comícios de Prestes no Largo do Rosário e no antigo Teatro Municipal em 1945.

A exposição apresenta outros fatos históricos locais muitos desconhecidos da maioria das pessoas como o fato da primeira mulher eleita como vereadora em Campinas, Vera Pinto Teles, ser comunista. No final de 1947, mesmo na ilegalidade, o Partido Comunista elegeu quatro vereadores. Três deles eram líderes operários. O ferroviário Américo Brancaglion foi o mais votado naquele pleito e o médico Djalma Moscoso se tornou primeiro secretário da mesa da Câmara Municipal.

O conjunto dos banners apresenta personagens e episódios que atestam a presença dos comunistas na história brasileira. Mesmo sob a mais férrea perseguição, eles continuaram atuando e defendendo suas bandeiras. O PC do Brasil esteve à frente da luta contra o fascismo nas décadas de 1930 e 1940. Fato que lhe deu um grande prestígio social e político. Ele se envolveu em campanhas nacionalistas: “Em defesa da siderurgia nacional” e “O petróleo é nosso!”. O resultado desta luta foi a criação da Petrobrás e a CSN.

A cultura brasileira também muito deve aos comunistas. Pelas suas fileiras passaram nomes como Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Portinari, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho entre outros.

Os comunistas dirigiram as principais greves até 1964. Muitas conquistas sociais e trabalhistas, como o 13º salário, estão ligadas a esses movimentos contestatórios. Combateram a ditadura militar, advogando a anistia ampla, eleições diretas e a Assembleia Nacional Constituinte. Nos anos de arbítrio, o PCdoB viu morrerem assassinadas dezenas de dirigentes e militantes. Mais de 60 deles continuam desaparecidos.

Nos seus primeiros 63 anos de vida (1922 e 1985) o Partido Comunista conheceu apenas quatro anos de legalidade. A maior parte do tempo foi obrigado a atuar na clandestinidade. Desde 1985, com a redemocratização do país, a legenda vive seu período mais longo de legalidade. Voltou a assumir posições no poder legislativo, elegendo deputados e senadores, e no poder executivo. Com a vitória de Lula, pela primeira vez, passou a ocupar cargos no primeiro escalão da República. Hoje dirige a prefeitura de uma capital, Aracajú, e o governo de um estado: o Maranhão.

É importante conhecer a história do nosso país principalmente os movimentos que lutaram pela classe dos trabalhadores, pelas causas sociais. (Carta Campinas com informações de divulgação)

Exposição: “95 anos do Partido Comunista no Brasil e em Campinas”
Abertura: 28 de março às 19h
Período: 28 de março a 6 de abril, Terça a sexta-feira, das 10 às 18h e sábados, das 10 às 16h
Local: Museu da Imagem e do Som de Campinas – Rua Regente Feijó, 859 – Centro
Realização: Fundação Maurício Grabois e Comitê Municipal do PCdoB de Campinas
Apoio: Museu da Imagem e do Som e Museu da Cidade

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