Por Susiana Drapeau
Educação de gênero nas escolas poderia ter evitado a chacina de Campinas?
Essa questão tem uma resposta muito clara. Sim, poderia.
Evitaria todas as mortes de mulheres pelo machismo? Claro que não.
Mas com certeza poderia evitar o feminicídio de Campinas na noite de Ano Novo.
O causador da tragédia poderia ter aprendido na escola que:
A mulher que luta por seus direitos não é uma “Vadia”
A mulher que não se submete ao homem não é uma “Vadia”
A mulher que enfrenta o homem de igual para igual não é uma “Vadia”.
A mulher que usa a legislação para se defender não é uma “Vadia”
A mulher que não gosta de apanhar do marido não é uma “Vadia”.
A mulher não é o modelo ‘bela, recatada e do lar’ que existe na cabeça de alguns homens.
Poderia aprender que existem muitas e múltiplas mulheres.
Na escola, a discussão de gênero poderia abordar tudo isso e mais um pouco:
Que o ódio às mulheres independentes e que buscam seus direitos é um ódio bem conhecido
Esse mesmo ódio às mulheres “Vadias” perseguia as “Hereges” na Inquisição
Esse mesmo ódio era celebrado pelos agentes da Ku klux Klan.
Esse mesmo ódio estava ali na Alemanha nazista.
Ninguém era louco. Eram apenas homens, homens brancos ou negros, independe.
Que o ódio só troca de roupa, mas é o mesmo, é humano.
A discussão de gênero poderia mostrar que é preciso respeitar as mulheres, como respeitar quem tem crenças diferentes, opções sexuais diferentes, cores diferentes e etnias diferentes.
Mas não.
Nós queremos continuar com as mentes vazias. As mentes Vadias.
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