apenas algumas luzes de pequenas janelas acesas
deixam ver uma mulher escrevendo
e a vejo na mesma posição em que estava ontem, e ontem.
Destacando-se das outras, a mesma tímida sensação
dos lugares que chamamos de nossos, daqueles
estranhos lugares que chamamos de casa e que
a vida guarda no silêncio de uma manhã de infância.
Uma manhã que não morre, que está sempre lá,
assombrando de novo, vindo de novo, explodindo,
rasgando, tirando tudo que temos, todo esse nosso tempo.
Na noite, a mulher sentia frio, mas todos dizem:
é um tempo que não volta mais, não.
(Maura V.)
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