Para pesquisador, chacinas e assassinatos são uma política de Estado no Brasil

A violência que atinge preferencialmente jovens, negros e pobres em Fortaleza (CE) indica que há um grupo da sociedade cujas vidas são menos importantes. A conclusão é do professor Luiz Fábio Silva Paiva, pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC). “Hoje, na cidade de Fortaleza, nós vivemos com sujeitos matáveis. Existem vidas hoje que não são dignas de serem vividas. E longe de isso ser uma ideia abstrata que fundamenta o preconceito ou uma forma de discriminação social, essa ideia é estruturante de uma política de estado.”

Paiva foi um dos participantes da mesa redonda “Chacinas em Fortaleza: Violência e Segregação Social”, promovida nesta terça-feira (22) pelo Programa de Pós-Graduação e Sociologia da Universidade Estadual do Ceará (Uece). O evento teve como assunto central a Chacina de Messejana, que completou um ano este mês.

Durante a chacina morreram 11 pessoas, a maioria jovens, em uma só noite no bairro Messejana. Todas foram mortas a tiros. Em setembro, o Ministério Público Estadual (MPCE) denunciou 45 policiais militares. A Justiça aceitou 44. Os denunciados estão presos preventivamente. Em outubro, começaram as audiências do processo.

Mãe de uma das vítimas, Edna Cavalcante participou da mesa redonda. Muito emocionada, ela relembrou o convívio com o filho Alef, que tinha 17 anos quando foi morto, e disse que hoje se mobiliza com as famílias das outras vítimas para evidenciar a vulnerabilidade dos jovens das periferias. “Calaram a boca do meu filho. Isso é uma dor muito grande para uma mãe. Se eu estou aqui falando, é porque não vou me calar, pois outros jovens podem ser vítimas. Precisamos barrar essa polícia que mata e lutar por uma polícia melhor.”

Os nomes de Alef Cavalcante e de Jardel dos Santos, que também tinha 17 anos e foi morto na noite da chacina, hoje dão nome a duas ruas de Fortaleza. (Edwirges Nogueira – Agência Brasil)

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