Ex-secretário de Campinas e do governo Alckmin é denunciado por gestão desonesta

O ex-secretário dos Transportes de Campinas no governo do PSDB, entre 1993 e 1996, Jurandir Fernandes, foi denunciado por improbidade administrativa pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). Ele foi denunciado hoje (11) junto com o secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissoni e seis ex-presidentes da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) por improbidade administrativa (que significa uma gestão não proba, ou seja, desonesta) com o bem público. Eles são acusados de comprar e não-utilizar 26 trens para a Linha 5-Lilás (Capão Redondo-Adolfo Pinheiro).

Os trens custaram R$ 630 milhões e estão deteriorando parados em pátios, ao longo da linha e em garagens da empresa CAF Brasil, fabricante das composições. Alguns estão sem uso há, pelo menos, dois anos. Jurandir também foi secretário de Transportes Metropolitanos e já foi citado em esquema de corrupção do PSDB.

O promotor público Marcelo Milani, autor da denúncia, enfatizou que as composições “estão abandonadas e foram vandalizadas”. “Esses trens já estão parados há dois anos, já estão perdendo a garantia. Tudo o que está colocado naquele trem, principalmente em questão de eletrônica, de funcionamento não vai ter utilidade, perdeu a utilidade”, escreveu na denúncia, segundo o portal G1.

Milani destacou que os trens não possuem o mesmo sistema de comunicação que é utilizado pelas composições que operam a linha desde 2002. E também foram produzidos para um bitola (distância entre os trilhos) diferente da atual. “Os trens que ali (estão) não têm a mesma capacidade, tem que ser trocado no curso da mesma linha. Sem contar que tem sistema de operação completamente diferentes por isso também os agentes públicos estão sendo responsabilizados”, afirmou o promotor.

Em abril, a RBA divulgou vídeos que mostravam 12 dos 26 trens da frota P, os trans novos da Linha 5-Lilás, parados em pátios e ao longo da via. O material foi produzido pelo Sindicato dos Metroviários de SãoPaulo. As composições identificadas nos vídeos são: P21, P12, P34, P15, P22, P10, P19, P16, P20, P11, P18 e P02. “Você compraria dois carros com objetivo de usar um e deixar o outro parado em casa? Não, ninguém faria isso. Então, o governador precisa explicar por que comprou composições sem perspectiva de uso”, disse, à época, o presidente do sindicato, Altino de Melo Prazeres Júnior.

Os trens parados apresentavam oxidação e desgaste na parte externa, por conta da exposição às intempéries. Além disso, os metroviários explicaram que os componentes eletrônicos e de rodagem, sem uso, se degradam, levando à possibilidade de os trens apresentarem falhas quando começarem a ser colocados em uso. “É dinheiro público jogado fora. Não tem planejamento, não tem prioridade ao transporte público. Agora precisa ver qual foi o objetivo de gastar tanto dinheiro em uma coisa que não poderia ser utilizada pela população”, afirmou Altino.

A ferrovia está sendo construída desde 1998, quando era a Linha F da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Após inúmeras alterações no prazo de entrega das 17 estações, que vão ligar o Capão Redondo à Chácara Klabin, integrando-se com a Linha 2-Verde, a previsão atual de conclusão é 2018. Nem mesmo o pátio de estacionamento Guido Caloi, que abrigaria a frota P, foi concluído.

A Linha 5-Lilás transportou 269 mil passageiros por dia, em média, em 2015. E o atendimento é feito por oito trens da frota F, de 2001. Embora o trecho seja curto, com sete estações e 9,6 quilômetros de extensão, não tendo condições de receber muitas composições, o principal problema é que os trens da frota F operam como o sistema ATO, incompatível com o sistema CBTC dos trens novos da frota P. A principal diferença é que o CBTC permite reduzir a distância entre os trens, agilizando a circulação.

As assessorias de imprensa do governo Geraldo Alckmin e do secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, disseram que quem responderá sobre a denúncia é o Metrô, que ainda não se posicionou. (Da RBA com edição Carta Campinas)

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