Unicamp poderá ter comissão de combate ao ódio e preconceito racial

Em reunião com o coordenador geral e vice-reitor da Unicamp, Álvaro Penteado Crósta, funcionários, alunos e pelo presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Câmara Municipal, vereador Carlão do PT, solicitaram a criação de uma Comissão de Combate ao Racismo para acompanhamento de denúncias de preconceito racial na universidade. A criação da comissão foi apontada como necessária diante de constantes ocorrências de racismos e discursos de ódio. A reunião aconteceu nesta quarta-feira, 16.

Na semana passada, o IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) foi palco de pichações com a frase “White Power” (Força Branca), acompanhada de símbolo da seita Ku Klux Kan (KKK), entre outras que fazem referência ao nazismo e a Adolf Hitler. Teófilo Reis, ex-aluno, atual funcionário da universidade e integrante do Núcleo de Consciência Negra da Unicamp, avalia que essa Comissão é fundamental para evitar retaliações aos denunciantes.

“Há muitas situações de racismo na Unicamp, como professor fazendo chacota com aluno do movimento negro e perseguição a alunos. É crucial que a universidade trate a questão racial de maneira mais enérgica”, defende Reis. Celso Ribeiro de Almeida, coordenador-adjunto de Assuntos Comunitários, reiterou a necessidade da comissão e também do ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nas licenciaturas e cursos de graduação que formam professores para que sejam preparados para levar esse conhecimento aos alunos do ensino fundamental e médio, conforme previsto nas leis federais 10.639 e 11.645.

“De fato, a universidade ainda não está cumprindo como deveria a Lei 10.639”, admitiu Crósta. Ele se mostrou solidário às iniciativas propostas, mas sugeriu que sejam antes discutidas em um Fórum sobre intolerância, a ser promovido pela universidade, para que fique “fortalecido na comunidade”. “Acho que essa é uma luta na qual temos que embarcar todos juntos”, acrescentou. A expectativa de Almeida é de que esse Fórum ocorra em maio.

No caso das pichações ou outros de preconceito racial, Crósta disse que a apuração de responsabilidades deve partir da unidade (neste caso, da direção do IFCH), por meio de sindicância. “Os alunos não podem temer, têm que denunciar. Se na unidade não forem tomadas providências, tomaremos aqui. É inaceitável isso.”, afirmou. Contudo, disse que acredita mais em ações de conscientização, como o Fórum que propôs.

O vice-reitor avalia que essas pichações são problemas pontuais. “Não me parece que temos na universidade grupos de ultra direita”, disse. Também participaram da reunião Edna Lourenço, do grupo Força da Raça; Renata Cristina Cardoso, psicóloga da Coordenadoria de Assuntos Comunitários; e José Braga, assessor da Coordenaria Geral da Unicamp. (Carta Campinas com informações de divulgação)

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