Quando a ignorância torna-se o motor da ação

Por Thais Dibbern

Diante da atual conjuntura política, nos deparamos com alguns discursos absurdamente irracionais dos quais não dá para ignorar. Questionar a situação política do país ou até mesmo participar das manifestações pró e anti-governo não devem ser sinônimos de violência. Dizer que alguém é “petralha” por usar uma camisa vermelha e/ou defender o governo, ou “coxinha” por defender o impeachment, são condutas que podem levar a violações de direitos, principalmente quando se confunde a liberdade de expressão com discursos de ódio.

A violência está por trás de discursos oriundos de pessoas que não pensam. Querer a ditadura militar no país é o mesmo que dizer que não estudou história ou não se lembra da repressão, torturas e mortes, é não querer a liberdade de expressão e, muito menos, uma democracia. Querer que o Estado pare de intervir na economia é o mesmo que dizer que não entende nada sobre o processo histórico da economia brasileira, fechando os olhos para a incapacidade da “mão invisível” em garantir equidade nas atividades econômicas, assim como a distribuição de renda. Querer a privatização da Petrobras é o mesmo que negar receitas, negar empregos, negar que o petróleo é nosso. Querer o impeachment é o mesmo que negar a democracia (exceto, é claro, se apresentarem reais motivos para o mesmo).

“Eu não sou do PT”, eis a frase que mais se escuta quando se defende o governo ou a democracia. O medo da repressão é tão grande que nos deixamos levar por aquilo que pode causar espanto àqueles que possuem pensamentos contrários, o qual pode ocasionar em xingamentos, cuspidas, ameaças, assédios, violências.

Entretanto, enquanto estivermos em uma democracia, é direito de todos expressar o que pensamos, mas não podemos ser ingênuos em acreditar que tudo o que o “Jornal Nacional” diz é verdadeiro e é através da visão deles que devemos nos basear. A manipulação da mídia vai além do que podemos imaginar. O discurso parece ser tão convincente que acaba cegando as pessoas, fazendo com que se tornem pequenos fantoches e precursores de suas visões e ideologias.

Sendo assim, é necessário que haja senso crítico por traz daquilo que é noticiado, e isso não vale apenas para o jornal citado anteriormente. É necessário que tenhamos culhão para encontrar o que valeu a pena (e o que não valeu) em cada governo, não somente selecionando um e atacando de forma ignorante e irracional. É necessário pensar e refletir sobre a atual conjuntura política. É necessário compreender que não existe apenas uma verdade por trás daquilo que nos é apresentado.

Thais Dibbern é graduanda em gestão de políticas públicas pela Unicamp.

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