O coletivo Católicas pelo Direito de Decidir divulgou hoje (28), Dia de Luta Pela Descriminalização e Legalização do Aborto na América Latina, nota de repúdio ao Projeto de Lei 5069/2013, do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cujo objetivo é tipificar como crime contra a vida o anúncio de meio abortivo. Eduardo Cunha faz leis contra as mulheres no Brasil, mas é um parlamentar que gosta de viajar para países em que a mulher é respeitada e o aborto não é crime.
A proposta prevê que “anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar aborto, induzir ou instigar gestante a usar substância ou objeto abortivo, instruir ou orientar gestante sobre como praticar aborto, ou prestar-lhe qualquer auxílio para que o pratique, ainda que sob o pretexto de redução de danos” acarreta pena de detenção de quatro a oito anos.
Veja mais:
É contra a descriminalização do aborto, mas adora Paris, Londres e Nova York
Número de mortes de mulheres e de abortos diminui com descriminalização
A impressionante semelhança entre aborto e redução de homicídios
Papa perdoa o aborto e abre caminho para a descriminalização da mulher
Segundo o projeto, se o agente é funcionário da saúde pública ou é médico, farmacêutico ou enfermeiro, a pena é agravada e sobe para cinco a dez anos. As penas ainda aumentam em um terço se a gestante é menor de idade. O PL também revoga dispositivos da Lei 12.8045/13, que dispõe sobre o atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual, dificultando ainda mais o acesso das mulheres a essa política de saúde.
Segundo a justificativa de Eduardo Cunha, “a legalização do aborto vem sendo imposta a todo o mundo por organizações internacionais inspiradas por uma ideologia neomaltusiana de controle populacional”.
De acordo com a nota das Católicas pelo Direito de Decidir, “é espantoso verificarmos com que desrespeito a vida das mulheres é tratada pelo parlamento do nosso país”. Para a entidade, o projeto representa “completo desrespeito do parlamento pela vida das mulheres brasileiras”.
O grupo diz que não há sensibilidade dos parlamentares no país e cita pesquisa do Ibope, de 2010, segundo a qual, para 61% da população brasileira, quem deve decidir se uma mulher pode ou não interromper uma gravidez não planejada é a própria mulher. “As instituições representadas pelo poder Judiciário (5%), igreja (3%) e o Congresso Nacional (1%) não obtiveram aval da sociedade para deliberar sobre essa questão”, dizem as católicas na nota.
Elas protestam ainda contra a falta de diálogo do Congresso com a sociedade civil organizada. Esta, diz, “tem demonstrado através de diversos estudos e pesquisas que a interdição legal do aborto tem sido inócua”. A principal consequência do projeto, se for aprovado, será aumentar o número de abortos inseguros e dos óbitos maternos, já que dificulta o acolhimento das mulheres nos serviços de saúde para a interrupção da gravidez e o acesso a anticoncepção de emergência.
“Neste momento, em que o mundo se abre para a defesa dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos, como direitos humanos, é uma vergonha que surjam propostas como essas em nosso Congresso Nacional”, afirma a nota. (RBA)
Leia a íntegra da proposta e a justificativa de Eduardo Cunha:
(imagem cibelle gaidus - divulgação reprodução) Primeiro trabalho solo do multiartista, compositor e produtor cultural…
(imagem reprodução) Exibição acontece no dia 9 de junho e destaca as brincadeiras tradicionais como…
Sion e Itamar Duo (imagem reprodução vídeo) O projeto Música ADu promove, na quinta-feira, 11…
O ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), que entrou de cabeça na extrema direita bolsonarista, deve ser…
(imagem reprodução mundano grafite) As entidades de professores, servidores e estudantes de São Paulo defendem…
(imagem chalogarcia pxl) Depois dos privilégios arraigados de deputados, juízes e militares, agora o brasileiro…