Natural… (Um poema pela mudança)

Por Luís Fernando Praga

Natural…

Segue suave e sempre a tua saga, soterra sob ti a violência, supera nossa efêmera existência, mas antes, cicatriza a nossa chaga! Preenche de bom senso aquele hiato, mostra que cortar matas como esporte é só cortar caminho para a morte, mirando a pequenez do imediato. Que os rios nos perdoem e não guardem mágoas, a Natureza é mãe e em si ensina que eles nos são fonte, não latrina, e isso vital e claro como as águas. Afrouxa o nosso afã de devastar, que o lixo já nos chega no pescoço e consumindo tudo antes almoço, morreremos de fome no jantar.

Temos irmãos famintos, mutilados, temos milhões de irmãos presos em jaulas, alienamos nas salas de aulas e a mania de apontar culpados. Num mundo onde criamos tanto mal e traumas a pessoas tão imensos, é bruto e é o maior dos contrassensos sofrer pela ilusão do capital.

Tramamos nossa própria extinção, seremos apagados do planeta e no último grão da ampulheta as lembranças humanas ruirão! A Lua, eterna musa da poesia, alheia à razão de nossos gestos, seguirá orbitando os nossos restos, imersa numa vã melancolia…

Então nós temos logo é que ir pra rua, pra desfazer equívocos antigos, fazer as pazes e fazer amigos e mil versos por dia para a Lua!

Antes do fim nós devemos provar que somos dignos de confiança, pois todo breu permite uma esperança e uma fresta para o Sol entrar.

Há tantas maravilhas nesse mundo, que quem só sabe ver a parte escura fez abrir mão de um lago de água pura pra se fartar do lodo lá do fundo. Além do espinho há rosas nas roseiras, crianças puras nascem nos berçários, também se morrem os reacionários e se repensa a vida em cachoeiras.

Antes do fim vamos nos redimir e deixar nossa história mais bonita, pra que uma nova espécie siga a escrita de viver sem pensar em competir. Assim evoluímos dessa dor, sem cultivar mais ódio pela Terra, plantaremos a paz aos pés de “pé de guerra”, pra florescer um mundo de amor.

Que os bons ventos arejem o lugar e o passado nos traga o bom presente de ver que a diferença é um dom da gente, capaz nos unir e transformar.

Que esse solo, curtido em sangue, tinto, reserve um amanhã de muitas cores, quando não serão armas, mas as flores, a chave pra sair do labirinto.

Que a Liberdade venha nos dizer que todo agora é muito saboroso, que a dor e o prazer de cada gozo nos livre de pecar por não viver. E eu quero olhar pra vida com paixão, e que a gratidão me seja permitida, pra eu borboletear no estômago da vida, e que ela nos inspire a compaixão!

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