A acusação teve origem na apresentação de uma cena teatral vivida pelos três artistas na PUC – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em 2012, baseada em texto de Bertolt Brecht, atendendo a convite de dirigentes, professores e alunos da PUC/SP – que, em greve, manifestavam-se contrários à decisão arbitrária dos mantenedores da Universidade de empossar o reitor que se classificou em 3º lugar na disputa, ao invés de acatar a eleição democrática.
O trecho apresentado na PUC na ocasião fazia parte do musical “Acordes”, que então era encenado no Teatro Oficina com direção de Zé Celso. Baseada em texto adaptado de Bertolt Brecht, a peça refletia sobre o autoritarismo e o papel da multidão dentro do contexto das mudanças. Diante da solicitação de uma adaptação do trecho da peça para refletir de forma mais próxima a realidade de autoritarismo vivida na universidade, Zé Celso, ex-aluno da PUC-SP, modificou a figura do autoritarismo, representada na peça original pelo boneco Sr. Smith, pela figura de um religioso que, no texto original, é mutilado e, ao final, decapitado – como alegoria à necessidade de se rebelar contra o autoritarismo.
A cena teatral foi interpretada na ocasião pelo Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz como uma tentativa de escarnecer da fé católica ou zombar de objetos religiosos. Ele então encaminhou abaixo-assinado para o Procurador Geral de Justiça de São Paulo, requerendo instauração de inquérito policial para apuração de eventuais crimes que pudessem ter sido cometidos.
Em 5 de novembro de 2014, os artistas foram intimados para uma audiência preliminar e ouviram do promotor Dr. Matheus Jacob Fialdini acusações como a de que estavam (na cena vivida na PUC em 2012) se escondendo através do Teatro para dizer impropérios e incitar a violência.
Como bem disse Zé Celso, “o teatro não é um esconderijo da violência, como define o promotor do Fórum da Barra Funda, mas um lugar onde essa senhora é escancarada com arte e palavras poéticas”.
Como os artistas não aceitaram a proposta de transação penal feita pelo promotor, eles voltam agora para mais uma audiência, que pode implicar em pena de até um ano de detenção.
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