Do soldado ao Supremo: Brasil vive a tirania dos operadores da Lei

Do soldado raso da Polícia Militar ao imponente ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), os operadores da Lei no Brasil fazem o que der na telha, indeptendente do que está convencionado no Contrato Social, ou seja, na Lei.

A Lei (ou regra, regimento) é a coisa mais desprezada e desprezível por toda a cadeia de operadores.  Do soldado ao Supremo, todos os operadores da Lei parecem fazer o que querem, como querem e do jeito que querem.

O Brasil vive uma insegurança jurídica provocada pelo desmandos dos operadores da Lei.

É assim o caso assombroso das diferenças entre as operações da Polícia Federal Zelotes e Lava Jato. Enquanto na Lava Jato o juiz Sérgo Moro prende todo mundo há mais de um ano, na operação Zelotes, o juiz Ricardo Augusto Soares Leite se recusou a prender todos os envolvidos.  Para se ter uma ideia da situação, o Ministério Público Federal (MPF) quer o afastamento do juiz Ricardo Augusto Soares Leite da 10ª Vara Federal de Brasília.

Ou seja, não há regra para a Justiça. É uma justiça personalista, tirânica, imprevisível. Toda a Lei está na cabeça do juiz e não no Contrato Social. Se quer prender todo mundo, prende. Se não quer, não prende.

Quem não já ouviu de um policial: “Eu sou a lei, a lei também é o policial”. Daí também já inferimos que “bandido bom é bandido morto”. Ou seja, se a sociedade dá ao policial o poder da lei, ele pode então determinar a sentença, inclusive a sentença de morte a um inocente. Se dá esse poder ao policial raso, imagina a um juiz de primeira instância.

É um coronelismo dos operadores da Lei que chega ao Supremo, passando pelos tribuinais que pagam rendimentos acima do teto constitucional (!!!) para os juízes. No Supremo, um ministro pede vista de uma ação e segura por tempo indeterminado, bloqueando um julgamento já consumado. É ou não é a tirania do operador da Lei?

Durante muito tempo, achamos que o Brasil era um país em que a população não respeitava as leis, mas nossa incipiente democracia tem demonstrado que são os operadores da Lei quem realmente não a respeitam.

Daí a sensação de insegurança jurídica. Não há regra ou padronização de procedimentos. São pesos e medidas ao sabor das ideologias, das fantasias, das loucuras.

 

 

Recent Posts

Espetáculos do Projeto Terror em Cena chegam ao Centro Cultural Casarão e à Unicamp

(imagem paula arielly - divulgação) A temporada de estreia do Projeto Terror em Cena, assinado pelo…

4 hours ago

Show de Zé Ibarra leva a nova cena da música brasileira ao Teatro Castro Mendes

(foto Elisa Maciel - divulgação) A nova geração da música brasileira ganha destaque em Campinas…

5 hours ago

‘O Legítimo Pai da Bomba Atômica’ reflete sobre ciência, ética e o uso de armas de destruição em massa

(foto mari jacinto - divulgação) O espetáculo teatral "O Legítimo Pai da Bomba Atômica" será…

6 hours ago

Cordelista Samuel de Monteiro lança livro em sarau poético na Biblioteca do Bonfim

(foto pedro quintans - divulgação) O cordelista, poeta e compositor Samuel de Monteiro lança o…

8 hours ago

Show do Peu Abrantes Trio traz mistura de ritmos que vão do jazz ao maracatu

(foto juliana lira - divulgação) O compositor, arranjador e baixista Peu Abrantes se apresenta em…

9 hours ago

Itaipu se transformou em um ecossistema de pesquisas em energias renováveis

(foto tânia rego - ag brasil) O reservatório de água da usina de Itaipu, na…

20 hours ago