Estações de tratamento de Campinas não eliminam todos os contaminantes da água

As ETEs (estações de tratamento de esgoto) e ETAs (estações de tratamento de água) de Campinas não eliminam todos os contaminantes emergentes da água, segundo pesquisa do Instituto de Química da Unicamp, realizada por Igor Cardoso Pescara.

A pesquisa fez parte da tese de doutorado sob orientação do professor Wilson Jardim. A preocupação ainda aumenta com a distribuição de água para a população proveniente do tratamento de esgoto, conforme foi anunciado recentemente pelo prefeito Jonas Donizette (PSB).
Os contaminantes emergentes (ou novos contaminantes) são substâncias potencialmente nocivas à saúde, mas que ainda não recebem legislação para que sejam tratados. Entre esses novos contaminantes da água estão hormônios endógenos, hormônios sintéticos e produtos de uso industrial, como o bisfenol, substância classificada como estrógeno.

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Em seu trabalho, Pescara analisou os métodos de tratamento utilizados por uma ETE e uma ETA de São José do Rio Preto e de quatro ETEs [Anhumas, Capivari, Piçarrão e Samambaia] e uma ETA [Sousas] de Campinas. Em Campinas, ele constatou que as ETEs eliminam em torno de 90% dos contaminantes emergentes e a ETA, de 40%.

“Numa análise bastante objetiva, é possível dizer que o nosso sistema de saneamento ainda não está devidamente preparado para combater esses novos inimigos. A boa notícia é que temos armas suficientes para enfrentá-los, ou seja, nós dispomos de tecnologias capazes de promover essa remoção com bastante eficiência. O que está faltando, como também já foi dito, é alterarmos a legislação para que possamos oferecer água de melhor qualidade aos brasileiros”, acrescenta.

O pesquisador explica que coletou amostras de água em cada etapa do processo. “Cada uma dessas estações utiliza uma técnica de tratamento. A opção leva em conta o espaço físico disponível e o volume de água recebido, entre outros aspectos. Em Campinas, tive a oportunidade de analisar mais de uma técnica de tratamento de esgoto, o que me permitiu verificar quais promoviam as melhores remoções de contaminantes”. (Com informações de divulgação da Unicamp)

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