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Música, cor e abstração se unem na arte expressionista de Nale Simionatto

Paisagens abstratas e uma sutileza no jogo de cores fazem parte das pinturas da artista Nale Simionatto, que esse mês ilustra o site Carta Campinas no projeto Carta Campinas Visuais.

Natural de Novo Horizonte, no interior do estado de São Paulo, Nale cresceu observando pessoas como a mãe e o tio que tinham uma relação próxima com a arte, o que a fez desenvolver desde cedo uma sensibilidade artística. Seu primeiro contato com a arte se deu através da música, com o estudo de piano clássico. “Isso valeu demais, pois dentre tantas atividades artísticas, a música ocupa até hoje grande parte do meu ser. Toco piano sempre! Tanto quanto a pintura, o piano é uma fonte de inspiração e expressão”, diz ela.

A pintura apareceu mais tarde na vida de Nale, depois dela ter se formado em Psicologia e ter tido contato com a expressão, seja através da pintura, da escultura, da música ou da escrita, do mundo interior de seus pacientes. Quando decidiu tentar desenhar, Nale descobriu que tinha algum talento e que, tanto quanto o piano, essa atividade a enchia de prazer. “A partir daí nunca mais parei”.

Após percorrer caminhos desde o estilo figurativo até o expressionismo abstrato, onde atualmente se encontra, a artista diz descobrir, a cada novo período, novas possibilidades com as tintas, com as colagens, com as telas e pincéis e novas pinceladas na pintura.

Seus trabalhos nos remetem a algumas telas de Mark Rothko, um dos nomes importantes do expressionismo abstrato, particularmente representativo de uma tendência mais meditativa ou mística, onde os artistas exploram preferencialmente as qualidades tactéis e os efeitos sensitivos da cor, produzindo quadros abstratos que fazem uso de poucos elementos, representados com limites indefinidos e relações cromáticas de grande subtileza.

Os quadros de Nale sugerem esse tom mais meditativo, reforçado pela sua relação bastante próxima com a música, que transparece no trabalho plástico, deixando seus rastros. A particular exploração da cor, que parece dizer muito mais do que a própria forma nos trabalhos da artista, de modo que talvez possamos dizer que a cor é a sua forma, produzem particulares efeitos de sentido. A exploração cromática na tela “Flores”, por exemplo, cria uma atmosfera quente, tomada por um impulso de vida. As formas são indefinidas, quase diluídas, mas as cores constroem as flores. Em outras telas como “Urbano Abstrato”, são quase nulos os elementos figurativos, mas o tom principal é o cinza, em uma composição um tanto esfumaçada, que lembra a atmosfera das grandes cidades. Algo de místico se deixa ver na tela “Abstrato 5”, onde vemos uma paisagem através do que parece ser um véu de uma cortina que produz um “mostrar-se escondendo” da imagem, um jogo onde ela constrói uma espécie de sedução pela representação que não se define totalmente.

Em algumas telas, os elementos figurativos se insinuam um pouco mais, como em “Portas e Janelas”, onde mesmo com o jogo expressionista das cores bastante demarcado, surgem como vestígios de uma estética figurativa os contornos sutis das janelas, da porta, e do que parece ser uma paisagem marinha vista através da janela central. Mas é em “África” que o elemento figurativo mais se mostra na figura de um elefante que, no entanto, surge borrado por várias manchas brancas ocupando todo o espaço da tela. Ainda aqui, o que se tem é esse sutil movimento do mostrar-se escondendo, uma tentação mística abstrata nessa pintura cromática que, em diversos momentos, se revela como música.

“A vibração da cor tem feito muito mais sentido para a expressão dos meus sentimentos e sensações do que a forma, propriamente dita. A arte me equilibra me acalma e me alimenta”. (Maura Voltarelli)

Cultura Carta

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