Às margens de um rio morto, população de São Paulo vive com falta d’água

Duas décadas já se passaram desde a petição pública para a despoluição do rio Tietê, feita no início dos anos 1990. O projeto avançou nos últimos anos, mas há ainda muito a ser feito até que o rio possa ser considerado limpo, segundo explica a coordenadora da Rede das Águas da fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro.

“Infelizmente, quando se vendeu a ideia da despoluição do rio Tietê, se vendeu uma falsa premissa de que, em um curto espaço de tempo, o governo paulista iria conseguir despoluir o rio. Em nenhum país do mundo a despoluição de rios é rápida ou foi rápida.” Malu garante que, para completar o processo em algumas décadas, ainda será necessário grande investimento financeiro e tecnológico e também em políticas sociais de saneamento básico.

A fundação elaborou um relatório sobre a qualidade da água e a evolução parcial dos indicadores de impacto do projeto Tietê, que concluiu que a parte do rio considerada morta – quando há apenas de 0 a 2 mg de oxigênio por litro – foi reduzida em 70%. No entanto, o Tietê permanece completamente morto em um trecho de 71 quilômetros, que vai de Guarulhos até Pirapora do Bom Jesus. A pesquisa é resultado do monitoramento da qualidade dos rios das bacias hidrográficas do Alto e Médio Tietê, que abrangem 68 municípios paulistas, em um trecho de 576 quilômetros. No total, 82 pontos foram analisados entre setembro de 2013 e setembro de 2014.

Na visão de Malu, um dos principais desafios ainda enfrentados pelo processo de despoluição no estado de São Paulo é a falta de políticas públicas de saneamento básico para parte da população. Ela afirma que hoje, uma parcela de paulistas vive à margem de serviços essenciais, como acesso a água tratada e coleta de esgoto. “Essas pessoas moram em áreas irregulares, sem infraestrutura, e isso resulta em uma grande carga poluidora e em um enorme problema social e ambiental.”

O atual sistema de saneamento básico brasileiro não concentra as funções em uma só esfera de poder – nacional, estadual ou municipal. A coordenadora da SOS Mata Atlântica destaca que a pluralidade de agentes representa também outra dificuldade para se desenvolver políticas públicas específicas e eficientes de despoluição. Malu ainda lembra que a Lei de Saneamento nacional permite que o processo seja realizado ora pelo estado, ora por municípios e até mesmo por municípios que privatizaram seus serviços ou que fizeram a concessão do serviço de tratamento de esgoto ou do tratamento de água. (Rede Brasil Atual)

Cantareira

O nível nos reservatórios do Sistema Cantareira segue em queda e atingiu neste sábado (27) 7,2% de sua capacidade de armazenamento, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Há um ano, o volume armazenado era 41,6%.

A Agência Nacional de Águas (ANA) informou, na quinta, que ainda não tinha recebido o Plano Operacional dos Reservatórios, que deveria ser entregue pela Sabesp. O estudo é exigido para que a companhia seja autorizada a utilizar a segunda cota da reserva técnica do Cantareira, o chamado volume morto, que introduziria 106 bilhões de litros de água ao sistema. A Sabesp tem até sábado (27) para enviar o documento.

De acordo com a companhia, a obra para captação da segunda cota, que foi autorizada pelas agências reguladoras, está em andamento, mas só será usada se houver necessidade. Mesmo que não haja chuva, o abastecimento se sustenta até março de 2015, quando é retomada a estação chuvosa, garante a companhia.

O Cantareira, que fornece água para 9 milhões de pessoas na Grande São Paulo e para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, sofre a maior falta de chuva de sua história. Em maio, teve início o uso da reserva técnica, que acrescentou 182,5 bilhões de litros de água, o equivalente a 18,5%, do volume total do sistema.  (Agência Brasil/Carta Campinas)

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