Planos de saúde levam 30% do dinheiro público da Saúde, diz professor da Unicamp

O médico sanitarista Nelson Rodrigues dos Santos, da Unicamp, afirmou que planos e seguradoras de saúde, empresas particulares, levam 30% do orçamento do Ministério da Saúde, deixando o Sistema Único de Saúde (SUS) subfinanciado e em condições precárias para médicos e pacientes.

Médico sanitarista Nelson Rodrigues dos Santos

Em entrevista ao Cebes (Centro Brasileiro de Estudos da Saúde), Santos afirma que a partir de 1990 o governo federal passou a co-financiar planos para os servidores federais, dos poderes executivo, legislativo e judiciário.”Então, essa visão economicista tradicional está implantando um novo sistema público em nosso país: subfinanciado e somente para os pobres. Traduzindo em números, a estimativa da soma dos subsídios federais aos planos e seguradoras de saúde correspondem a mais de 30% por orçamento do Ministério da Saúde”, afirmou.

Para ele, esse fenômeno levou as centrais sindicais e os próprios sindicatos a também pleitearem os planos privados a seus filiados,  enfraquecendo ainda mais a pressão social por um sistema de saúde público e de qualidade.

Nelson Rodrigues ressalta que a população não tem informação de que ela pode ter acesso a um bom sistema público de saúde. “A população brasileira não tem a informação que existem sistemas públicos em outros países que são preferidos por 90% da população. Então, não é só um sonho de que é possível ter um bom  sistema público de saúde. Ele existe na prática em dezenas de países”, disse ao Cebes.

Para o médico sanitarista, mesmo que o governo coloque no sistema público 10% das receitas da união, esse percentual seria inferior ao gasto per capita de países como a Argentina, Chile, Costa Rica e Uruguai. “Um estudo da Organização Mundial da Saúde mostra que a média do gasto com saúde pública em 15 países com sistemas de saúde pública, funcionando bem, é de 2,5 mil dólares públicos, per capita por ano. No Brasil gastamos 385 dólares públicos. Para termos um bom sistema não estamos olhando nem para os 2,5 mil, mas sim para 1 mil dólares. Se tivermos a vitória do Saúde+10 vamos para R$ 550. Dou esses números para mostrar como o governo não cumpre a Constituição na área da Saúde”, afirmou à entidade. (Da redação do CartaCampinas)

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