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Estudantes de escolas públicas alertam para violência contra a mulher em curta-metragem

(fotos ricardo lima – divulgação)

Cerca de 30 adolescentes de escolas públicas de Campinas com idades entre 13 e 17 anos transformaram a violência contra a mulher em tema de reflexão e produção audiovisual. O resultado é o curta-metragem “Até Quando?”. O filme estreou este mês, em Campinas, diante de mais de 200 convidados, e agora está disponível gratuitamente na internet.

Os adolescentes estiveram no centro do processo criativo, participando de diferentes etapas da produção, desde a escolha do tema e a construção do roteiro até a atuação, maquiagem, produção e finalização do filme, com apoio da produtora Lokomotiv Studio. O grupo faz parte da Academia Educar, programa da Fundação Educar voltado ao desenvolvimento do protagonismo juvenil, e produziu o curta durante as férias escolares de julho.

“Até Quando?” acompanha Marcela, uma jovem submetida a diferentes formas de violência praticadas por pessoas próximas, como o irmão, o chefe e o vizinho. As agressões passam pela violência verbal, moral e física e se agravam até uma tentativa de feminicídio. Ao construir essa trajetória, os adolescentes procuram chamar a atenção também para os sinais que antecedem as formas mais extremas de violência.

Para Lívia Louise Oliveira, de 14 anos, que interpreta a protagonista, dar vida a essas situações trouxe para perto uma realidade que muitas vezes parece distante. “Foi difícil viver isso na ficção e pensar que esses conflitos acontecem na vida real. As pessoas esquecem como esse é um assunto latente. A gente não se imagina apanhando ou sofrendo uma violência, mas mostramos isso no filme, além de chamar a atenção sobre como essas ações podem vir de pessoas próximas”, afirma.

Para Cristiane Stefanelli, gestora da Fundação Educar, o audiovisual permite que os adolescentes deixem de ser apenas espectadores e assumam um papel ativo diante de questões que fazem parte do cotidiano da sociedade. “Acordamos diariamente com notícias de violências e feminicídios. Os jovens protagonizaram esse curta-metragem para gerar inquietações e abrir espaços para diálogo, inclusive em suas escolas. Sabemos que um curta-metragem sozinho não resolve um desafio tão complexo e estrutural, mas pode ser um impulsionador de pessoas e organizações para ampliar debates e estimular medidas e ações transformadoras, afirma.

Reflexão também fora da tela

A estreia do curta, em 5 de setembro, também promoveu momentos de reflexão fora da tela. O evento contou com a mostra Sapatos Vermelhos – Os Passos que Elas Deixaram de Dar, do movimento Promotora Legal Popular (PLP), que reuniu 44 pares de calçados em memória de vítimas de feminicídio da Região Metropolitana de Campinas. Alguns dos calçados foram doados por familiares das vítimas.

Inspirada na intervenção artística Zapatos Rojos, da artista mexicana Elina Chauvet, a mostra busca dar materialidade às vidas interrompidas pela violência e provocar empatia, acolhimento e responsabilidade.

Após a exibição do curta, profissionais da área de saúde mental e integrantes do projeto participaram de uma roda de conversa com o público. O encontro abordou comportamentos abusivos, a normalização de diferentes formas de violência e a importância de envolver também o público masculino na prevenção e no enfrentamento da violência contra a mulher.

Cidadania, audiovisual e protagonismo juvenil

Realizado desde 2009, o Curta na Educar tem na produção audiovisual um instrumento de educação para a cidadania. Ao longo dos anos, adolescentes já produziram filmes sobre temas como racismo e preconceito, bullying, saúde mental, sustentabilidade e meio ambiente.

A proposta é fazer com que os jovens não apenas discutam questões que afetam seu cotidiano, mas encontrem formas próprias de expressá-las e compartilhá-las. As produções também podem ser utilizadas em escolas e outros espaços de formação como ponto de partida para debates e ações sociais.

Ao longo de seis minutos, o filme mais recente apresenta diferentes formas de violência e deixa uma pergunta que permanece depois dos créditos: até quando? O curta “Até Quando?” pode ser assistido no canal da Fundação Educar no YouTube, pelo link. (Com informações de divulgação)

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