(imagem reprodução video)
Os ministros do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e Luiz Fux, do STF, usaram uma tática já bem conhecida da extrema direita atualmente e que foi tratada neste artigo aqui sobre o paradoxo da extrema direita.
O ministro Luiz Fux falou na sessão de terça-feira (15) sobre decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, depois submetida à Segunda Turma. “Tem que ter responsabilidade judicial. Não se pode admitir que fique um órgão agindo contra o Supremo Tribunal Federal. Peitando ministro do STF”, disse Fux. Em concordância com o colega, o ministro André Mendonça, que falava fora do microfone, afirmou: “Temos hoje uma PF paralela”.
A tática de Fux e Mendonça é igualar situações totalmente desiguais para confundir e se defender das transações e ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro e com o processo eleitoral. Eles usaram PF Paralela para contrapor com a ABIN Paralela que havia no governo Bolsonaro. E que realmente havia, teve investigação, e julgamento. Inclusive uma ABIN Paralela com arapongagem e uso de equipamentos israelenses para monitorar adversários. .
Veja com funciona a prática do paradoxo da extrema direita. André Mendonça é o sujeito que ocupou a pasta da Justiça no governo Bolsonaro. Na época, fez uma ação sigilosa que monitorou quase 600 servidores públicos defensores da democracia e identificados como antifascistas. O escândalo, condenado por entidade nacionais e internacionais, foi alvo do próprio STF, que aprovou medida cautelar para que o governo suspendesse qualquer ato de vigilância a pessoas identificadas como antifascistas ou que atentem contra direitos políticos, de expressão, reunião e associação, conforme prevê a legislação brasileira.
Mendonça ainda como ministro da justiça, acionou a Polícia Federal para investigar opositores do presidente Jair Bolsonaro com base na Lei de Segurança Nacional (LSN), resquício da Ditadura Militar. Um dos alvos foi o financiador de uma série de outdoors em Palmas (TO) com críticas a Jair Bolsonaro, especialmente no combate à covid-19. Um dos materiais trazia os dizeres “cabra à toa, não vale um pequi roído, Palmas quer impeachment já”. A conduta de Mendonça no caso também é alvo de quatro ações no STF. É esse ministro que fala em ‘PF Paralela’
A Abin paralela do governo Bolsonarista foi um esquema criminoso de espionagem e monitoramento ilegal operado dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). Um grupo dentro da Agência Brasileira de Inteligência utilizou a ferramenta de geolocalização First Mile para rastrear a localização de celulares sem autorização judicial. Autoridades, ministros do STF, parlamentares (de oposição e base aliada), jornalistas e até mesmo aliados políticos foram vigiados. A Polícia Federal concluiu as investigações apontando o ex-presidente Jair Bolsonaro como o principal destinatário das ações clandestinas e chefe da organização criminosa.
O paradoxo da extrema direita não está calcado apenas na arma da mentira e todo tipo de mentira pura e simples, já explicado em texto sobre agnotologia. É usar a mentira para ir além. O paradoxo serve para confundir a população, anular a racionalidade e a diferença entres os grupos políticos, de forma que o eleitor seja incapaz de distinguir entre o corrupto e o não corrupto, entre o autocrata e o democrata, entre o que governa para os super-ricos e o que governa para a classe média e para os pobres. O paradoxo da extrema direita é o que Mendonça fez, acusar o outro de suas próprias ações ilegais.
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