A exposição “Memória Desviante”, individual da artista visual Fernanda Pupo, poderá ser vista a partir desta quinta-feira, 20 de agosto, no espaço independente AT AL 609 | Lugar de Investigações Artísticas. A abertura terá uma performance inédita da artista, na qual vídeos projetados se relacionam em tempo real com seu corpo, figurino e o espaço expositivo.
Com curadoria de Cecilia Stelini e texto crítico assinado pelo artista e professor Sergio Niculitcheff, a exposição reúne obras em técnicas e formatos diversos: litografia, serigrafia, desenho, pintura a óleo sobre lona em grandes formatos, livros de artista, figurino, maquiagem, vídeo e performance. Tendo o cavalo como figura central e território de pesquisa estética e simbólica, as obras propõem uma reflexão sobre a impermanência, o tempo e a ilusão do movimento.
A atmosfera da exposição foi criada para levar o público a uma imersão cromática na cor vermelha. A recorrência dos tons avermelhados, ocres e terras atravessa o espaço expositivo, articulando densidades, transparências e baixos contrastes. Essa presença marcante do vermelho remete tanto à intensidade afetiva quanto a uma memória ancestral, evocando as primeiras representações do cavalo nas pinturas rupestres.
Tempo e transformação
Inspirada pelo pensamento do filósofo Henri Bergson, a pesquisa de Fernanda Pupo compreende a memória como um processo vivo em que passado e presente coexistem e se atualizam continuamente.
“Com o estudo do tempo e processos de transformação constante na ilusão do movimento, os cavalos emergem em suas obras numa travessia em pleno fluxo do elegante andamento do galopar do animal”, destaca Sérgio Niculitcheff em seu texto crítico.
Em sua produção, as imagens passam por sucessivas camadas de desconstrução, transfiguração e apagamento: das pinturas a óleo em grandes formatos, que partem de sobreposições cromáticas sutis onde a figura do cavalo emerge em pleno fluxo, aos livros de artista, figurinos em linho e videoarte que articulam o conceito que a artista nomeia como Cartografia Anacrônica, na qual figura e fundo, presença e ausência se entrelaçam.
Litografia
Um dos eixos centrais da mostra é a pesquisa em litografia, técnica clássica de gravura e impressão inventada no final do século XVIII, baseada no princípio químico de repulsão entre água e gordura (óleo) sobre uma matriz de pedra calcária. Nela, o desenho direto na pedra gera gravuras de traço único e expressivo.
Como destaque e caráter pedagógico do processo criativo, a exposição contará com a exibição de uma matriz de pedra calcária original, cedida pelo Laboratório de Gravura da Unicamp, permitindo aos visitantes visualizar de perto a origem e a materialidade das obras impressas presentes no espaço.
Performance
A performance que marca a inauguração da exposição, dia dia 20, sobrepõe camadas virtuais e presença física em uma alusão à transformação da imagem e da memória em matéria viva. Projeções em vídeo serão lançadas sobre o ambiente e sobre o corpo da artista, que estará vestindo um figurino composto por uma túnica e xale em linho impressos em serigrafia. (Com informações de divulgação)
Serviço
Data: abertura 20 de agosto de 2026 (quinta-feira)
Horário: 19h,com performance da artista às 20h
Visitação: até 20 de outubro, com agendamento pelo e-mail lugardeinvestigacoesartisticas@gmail.com
Local: AT AL 609 | Lugar de investigações artísticas
Endereço: Rua Antônio Lapa, 609, Cambuí, Campinas-SP
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