Festival Hercule Florence entra na reta final com exposição sobre a expedição Langsdorff

Aquarela de Hercule Florence, 1828 (foto reprodução)

A reta final do 16º Festival Hercule Florence de Fotografia ganha um marco especial nesta quarta-feira (19), Dia Mundial da Fotografia: a inauguração da exposição “Langsdorff – A Expedição Fluvial 200 Anos Depois”, na Biblioteca de Obras Raras Fausto Castilho (Bora), da Unicamp. O festival começou em 5 de agosto e termina neste domingo, dia 23.

A mostra na Bora retoma os registros da expedição científica que percorreu regiões ainda pouco conhecidas pelos europeus no interior do Brasil entre 1825 e 1829, e deixa em aberto uma pergunta: o que restou da natureza, povos e paisagens vistos pelos viajantes dois séculos depois?

Liderada pelo naturalista e médico Georg Heinrich von Langsdorff, cônsul-geral da Rússia no Brasil, a expedição tinha entre seus integrantes o jovem francês Hercule Florence (1804-1879), que produziu desenhos e registros fundamentais para a documentação da geografia, fauna, flora, povos e costumes das regiões percorridas.

É justamente esse encontro entre espaços, observação e imagem que o festival recupera sob uma perspectiva contemporânea. Com o tema “Territórios em Transformação: da Expedição Langsdorff à Crise Climática”, coloca em perspectiva as mudanças ocorridas nas terras brasileiras desde os registros feitos pelos viajantes do século XIX até os desafios ambientais do presente.

Agora não mais documentadas em desenhos, mas pela técnica desenvolvida a partir de pesquisas pioneiras de Hercule Florence. Terminada a viagem, já morando em Campinas, Florence descobriu uma nova maneira de registrar aquilo que via e empregou o termo “photographie” para designar seu processo de produção de imagens pela ação da luz, antecipando a consolidação da fotografia na Europa.

Depois de dois séculos, a paisagem continua sendo observada e registrada, mas as perguntas mudaram. Se os viajantes da Expedição Langsdorff documentavam paisagens, rios, plantas, animais e modos de vida para produzir conhecimento sobre um território ainda pouco explorado pela ciência, hoje a fotografia é instrumento para registrar as marcas das mudanças provocadas pela ação humana e pela crise climática, rios alterados, florestas ameaçadas, paisagens transformadas. Uma forma de olhar não apenas para o passado, mas também para aquilo que está mudando diante dos nossos olhos.

O Festival Hercule Florence retoma uma pergunta que acompanha a fotografia desde seus primeiros experimentos: o que uma imagem é capaz de revelar sobre o lugar e o tempo em que foi produzida? Em Campinas, cidade onde Florence desenvolveu parte decisiva de suas pesquisas, a pergunta ganha ainda outra camada, a de olhar para um território em transformação a partir do legado de quem ajudou a criar uma palavra para nomear a própria fotografia.

PROGRAMAÇÃO

  • 19 de agosto | quarta-feira

10h – Abertura da exposição “Langsdorff 200 em Campinas”, conectando ciência, patrimônio e imagem.
Local: Biblioteca de Obras Raras Fausto Castilho (Bora) – Unicamp

19h – Abertura da exposição “O Que os Olhos Não Veem”, da fotógrafa Alexa Brunet, em parceria com a Aliança Francesa.
Local: Museu da Imagem e do Som – MIS Campinas

  • 20 de agosto | quinta-feira

20h – Palestra com o fotógrafo Cubano Yasmany.
Local: Galeria Foto Ponto

  • 21 de agosto | sexta-feira

10h – Palestra “Fotografia Contemporânea, Híbrida ou Expandida: Fabulações sobre a Natureza em Vórtice”, com Yara Schreiber Dines.
Local: Senac Campinas

14h às 17h – Leitura de portfólios fotográficos, um espaço de orientação e troca de experiências com profissionais da área.
Local: Senac Campinas

15h às 22h – “A Cidade Revelada”, videomapping, intervenções visuais e apresentações de DJs no Centro Histórico
Local: Praça Bento Quirino

  • 22 de agosto | sábado

9h às 12h – Expedição “Caminhos de Hercule Florence em Campinas”, um roteiro cultural guiado pelo centro histórico de Campinas, passando por marcos e patrimônios urbanos ligados à história da fotografia.
Local: a caminhada começa no Senac e termina na Galeria Foto Ponto

  • 22 e 23 de agosto | sábado e domingo

11h às 20h – 2ª Feira de Autores de Fotografia
Artistas, editoras independentes, lançamentos, minipalestras e varal de troca de fotografias.
Local: Galeria Foto Ponto

14h às 16h – Oficina “Gambiarra em Família: Construindo uma Pinhole”, com Roger Hama Sassaki.
Local: Sesc Campinas

  • 23 de agosto | domingo

10h – Encerramento Coletivo dos Lambe-lambes, com colagem por voluntários, artistas e público.
Local: Galeria Foto Ponto

15h – Encerramento oficial, com batalha de MCs, projeção de vídeos e exposição de fotos do festival;
Local: Sala dos Toninhos

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