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Privatização da Sabesp resultou em água suja, aumento da conta e explosões com mortes

Privatização e explosão (imagens rovena rosa ag brasil e tv brasil)

A privatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), feita pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em julho de 2024, com a venda de 32% das ações pelo governo paulista na bolsa B3, transferiu o controle da estatal para a iniciativa privada (com a Equatorial Energia adquirindo 15% das ações).

Após dois anos, a população sente os resultados da privatização: água barrenta, suja, mau cheiro, aumento das contas e explosões com mortes nas obras da empresa.

O Corpo de Bombeiros Militar de São Paulo confirmou, no início da noite desta segunda-feira, 11 de maio, a morte de uma pessoa após uma explosão que danificou diversas casas na região do Jaguaré, na zona oeste da capital paulista.

A vítima, segundo a capitã Karoline Burunsizian, porta-voz do Corpo de Bombeiros, era um homem de 45 anos. Os Bombeiros ainda trabalham com a hipótese de uma outra pessoa estar desaparecida, entre os escombros.

A explosão ocorreu por volta das 16h10 na rua Doutor Benedito de Moraes Leme e pode ter acontecido por problemas em uma tubulação de gás liquefeito de petróleo (GLP). Pelo menos dez residências foram atingidas diretamente pela explosão.

Três pessoas ficaram feridas, mas saíram do local conscientes. Um dos feridos seria um funcionário da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) que participava de uma obra da empresa no local.

Em março deste ano, apenas dois meses atrás, o rompimento de um reservatório em construção da Sabesp em Mairiporã (Grande SP) causou destruição, deixando um funcionário morto e feridos. A estrutura de 2 milhões de litros no Jardim Nery/Parque Náutica da Cantareira atingiu casas, levando à decretação de situação de emergência e promessa de indenização pela empresa.

Água suja

Relatos recentes (2025-2026), após a privatização de Tarcísio em 2024, indicam água barrenta, escura ou com cheiro forte em diversas regiões da Grande São Paulo e interior, muitas vezes associada à redução da pressão noturna pela Sabesp. Moradores de áreas como Zona Oeste, Sul e cidades como Araçariguama denunciaram a qualidade da água, descrevendo-a como turva.

Moradores de diversas cidades da região de Campinas, incluindo Paulínia, Hortolândia e Monte Mor, têm relatado água com gosto e cheiro de mofo ou terra, especialmente em abril de 2026. A Sabesp informou que essa alteração é causada pela presença de algas e cianobactérias nos mananciais devido a fatores naturais, afirmando que a água permanece potável e segura para consumo, apesar da alteração sensorial.

Moradores de diversas regiões da Grande São Paulo, como Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras e Barueri, relatam aumentos abusivos e inexplicáveis nas contas de água da Sabesp, com valores que triplicaram ou mais após a troca de hidrômetros (relógios de medição). As denúncias apontam que as contas saltaram de média de R$ 100 para mais de R$ 500, gerando revolta e mobilização entre os consumidores.

O aumento de 70% nas reclamações contra a Sabesp levou à abertura de CPIs para investigar a atuação da companhia. Entre as principais queixas estão falhas no abastecimento, cobranças indevidas e problemas no atendimento ao consumidor. O caso reacende debates sobre a qualidade dos serviços prestados após a privatização.

Apesar de tudo isso, uma coisa melhorou para os donos da empresa. A Sabesp aprovou uma nova política de dividendos (lucros dos acionistas) após a privatização, elevando significativamente a distribuição de lucros aos acionistas. A distribuição, que historicamente era de 25% do lucro líquido, passará a ser de 50% em 2026 e 2027, podendo chegar a 75% em 2028-2029 e a 100% a partir de 2030. (com informações da agência Brasil)

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Carta Campinas

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