
Desde a ascensão da extrema direita bolsonarista no Brasil, a mentira é usada livremente como método político. Toda a estrutura política da extrema direita está baseada na mentida, no uso de informações falsas e na contestação da ciência e do método científico.
O método da extrema direita já é estudado na agnotologia, uma nova ciência que estuda a ‘produção da ignorância’ de forma intencional. É certo que o uso da mentira como método político sempre existiu, mas talvez nunca num sistema organizado e estruturado sem qualquer elo com a realidade. Antigamente, a mentira era anônima, panfletos anônimos, etc. Agora a mentira é obscena, explícita, e seu autor a comete de forma livre socialmente.
No caso mais recente, Flávio Bolsonaro (PL) usou imagens das pessoas passando fome durante o governo Bolsonaro (seu pai) para acusar Lula de não governar para o povo. Justamente Lula que foi o criador e implementador dos maiores dos programas sociais que tiraram a população da miséria duas vezes. E justamente Lula que acabou com a fome que havia retornado com as políticas neoliberais de Paulo Guedes no governo Bolsonaro (2019-22).
A questão aqui talvez não seja a desfaçatez de um político de extrema direita que usa uma imagem resultado da política da extrema direita para acusar Lula de algo que ele não tem nada a ver. E pior, acusar Lula de problema que o próprio Lula solucionou em seu governo, que é a fome e a miséria.
O que realmente deve ser questionado é como Flávio Bolsonaro e seus aliados de extrema direita podem mentir livremente sem qualquer questionamento das instituições sociais oficiais ou extra oficiais? Como a sociedade tolera a mentira como método político de forma tão deslavada?
E a resposta só pode ser trilhada nos laços e interesses econômicos de uma elite política que tem como projeto a exploração do ser humano num modelo colonial. A extrema direita bolsonarista é uma espécie de arma de fogo da elite econômica do país. Eles precisam do fascismo bolsonarista para controlar os possíveis avanços sociais. Por isso, não há indignação. Jornalistas continuam a entrevistar Flávio Bolsonaro sobre os mais diversos assuntos como se ele não estivesse esgarçado a sociedade.
A mentira bolsonarista é o fascismo vivo e permitido pela sociedade, tolerado e mantido para impedir a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Veja o caso da possível facada em Bolsonaro e que permitiu sua eleição em 2018. A mídia e as instituições tomaram o caso da facada como verdade absoluta com inúmeras questões que levaram a crer que era um falso atentado.
Mesmo que tenha sido um atentado real, anulou-se o senso crítico em nome de uma verdade estabelecida no discurso da extrema direita. O caso foi extremamente nebuloso e com coincidências inacreditáveis, muito bem narradas em documentário de Joaquim Carvalho.
Ou seja, existe um aparato fascista socialmente ramificado na sociedade, seja nas instituições, nas empresas de tecnologia e de mídia, entre jornalistas, juízes, promotores que permitem a mentira como método político. Flávio Bolsonaro simplesmente não é punido moralmente por jogar de forma suja e sorrateira como seu pai, não é questionado, ele é aceito. Ele é tratado como um político como outro qualquer. Isso é o sintoma de uma sociedade doente e fascista. (Editorial Carta Campinas)
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