Polêmica sobre retirada de bancas expõe abandono e ausência do poder público no Centro de Campinas

(foto reprodução – instagram)

A decisão do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) de determinar a retirada de 52 bancas instaladas no Centro Histórico reacendeu o debate sobre a ocupação, abandono e recuperação do espaço. Após a reação e pressão de comerciantes, permissionários e vereadores, a Prefeitura se comprometeu a apresentar um plano alternativo até o dia 13 de abril.

A retirada das bancas em praças e áreas próximas a imóveis tombados, como o Largo do Rosário e as praças Carlos Gomes, Rui Barbosa, Bento Quirino e Largo do Pará, ocorre em um contexto de esvaziamento do Centro, marcado por imóveis fechados, redução da circulação de pessoas e ausência de políticas de revitalização e reocupação urbana.

As críticas sobre a medida recaem sobre a falta de planejamento da Prefeitura, de diálogo e a perda da própria história e da identidade urbana da região central. As bancas, em sua maioria, operam há décadas, algumas há mais de 80 anos, com autorização do próprio poder público. Agora, passam a ser tratadas como irregulares.

Na última segunda-feira (30/3), permissionários fizeram uma manifestações na Câmara Municipal pelo direito ao trabalho e à permanência na área, e lançaram um abaixo-assinado, conquistando apoio de vereadores governistas e da oposição.

Cidade em disputa

Do outro lado, a decisão do Condepacc encontra respaldo em entidades ligadas ao setor empresarial, expondo um modelo de cidade em disputa, entre a regulamentação rígida e a valorização imobiliária e a defesa de um centro vivo, popular e acessível.

“O Centro de Campinas precisa de um projeto humanizado, que venha revitalizar, garantir a presença do povo, o fortalecimento do comércio popular. Não pode estar a serviço dos interesses do mercado imobiliário”, criticou a vereadora Guida Calixto (PT) em discurso na tribuna da Câmara.

A vereadora Paolla Miguel (PSOL) critica a ausência do poder público na região central nas gestões do atual prefeito Dário Saadi (Republicanos) e de seu antecessor Jonas Donizetti (PSB), hoje deputado federal. “A Prefeitura entrega um espaço, sujo, sem assistência social para pessoas em situação de rua, sem transporte, sem ciclofaixa, sem incentivo à moradia e aos comerciantes”, afirma.

A solução, diz ela, não passa apenas por reposicionar as bancas, que considera parte do patrimônio da cidade. “O Centro precisa de vida, de comércio, de gente circulando, de gente se divertindo e ocupando aquele espaço. Precisamos de bancas, de bares de lojas, de cinema de rua, de galeria de arte, de museu”, afirma.

Para o vereador Wagner Romão (PT), que visitou bancas e conversou com seus proprietários esta semana, retirar esses pontos tradicionais de comércio “é afastar ainda mais a população, o que é um contrassenso diante da necessidade de requalificação de toda a região”.


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