(fotos roque de sá e marcos oliveira - ag senado)
Em 2019, após iniciar o governo de Jair Bolsonaro, está a origem do escândalo do Banco Master que gerou um rombo estimado em R$ 52 bilhões. Em fevereiro daquele ano, o então diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, Sidnei Corrêa Marques, negou a transferência de controle. Era a gestão de Ilan Goldfajn, nomeado por Michel Temer. Escândalo ocorreu após a aprovação da ‘autonomia’ do Banco Central.
Sidnei Marques concluiu pela incapacidade de comprovação por parte de Vorcaro, que não conseguiu elucidar a origem do dinheiro injetado no banco. A fiscalização apurou na época que parcela expressiva dos recursos usados na compra vinha do próprio Banco Máxima, por meio de transferências entre a instituição, empresas de Vorcaro e fundos de investimento.
Também foram identificados indícios de superfaturamento em imóveis usados como lastro para comprovar capacidade financeira, com laudos considerados frágeis e inconsistentes pela área técnica.
Ou seja, o Banco Central, tinha todas as informações sobre as irregularidades do Banco Máxima/Master de Daniel Vorcaro. Mesmo assim, houve uma mudança radical de posicionamento ocorrida em apenas oito meses, durante a transição no comando do banco para Roberto Campos Neto, empossado por Jair Bolsonaro.
Sob a gestão de Roberto Campos Neto, o novo diretor João Manoel Pinho de Mello deu o “sinal verde” para a operação. Ao contrário do voto anterior, Pinho de Mello aceitou previsões de fluxo de caixa das empresas de Vorcaro e laudos de valor de mercado de seus investimentos. E 4 diretores do BC mudaram o voto. São eles: Maurício Moura (Relação Institucional e Cidadania), Carolina de Assis Barros
(Administração), Paulo Sérgio Neves de Souza (Fiscalização) e Otávio Ribeiro Damaso
(Regulação).
O diretor argumentou que os resultados das empresas de Vorcaro em 2018 eram compatíveis com as projeções, o que demonstraria capacidade econômico-financeira suficiente para assumir o controle.
“Entretanto, no presente processo, foram feitas novas avaliações pelo Deorf, com base na documentação encaminhada pelo interessado, em que se verificou a compatibilidade das projeções com os resultados das suas empresas até 31 de dezembro de 2018, os quais foram distribuídos parcialmente em 2019, demonstrando que o total de recursos esperados para este ano está realmente se concretizando”, diz o diretor em seu voto.
João Manoel Pinho de Mello foi para o BC atendendo a um convite do presidente Roberto Campos Neto. Ele deixou o governo “por razões pessoais e por entender que completou seu ciclo”. Ele não era servidor de carreira do Banco Central, e já atuava no mercado. João Pinheiro já havia trabalhado como consultor para a gestora de Dório Ferman de 2005 a 2013.
Ele foi diretor do Banco Central até 2021. Após liberar o Banco Master que geraria o maior escândalo de corrupção bancária do país, ele virou banqueiro e sócio do Banco Opportunity. Um conto de fadas.
A informação dos votos foi conseguida com base na Lei de Acesso à informação, sancionada graças ao governo Dilma Rousseff (PT). O Banco Central (BC) liberou documentos que revelaram extratos de votos dos diretores da instituição que permitiram a transferência de controle do então Banco Máxima (que se transformou no Master) para Daniel Vorcaro. (com informações do vermelho.org)
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