(imagem paula arielly - divulgação)
A temporada de estreia do Projeto Terror em Cena, assinado pelo Coletivo Efêmeras (Unicamp/Campinas), continua a todo vapor por Campinas. As próximas apresentações dos espetáculos de dança-teatro: “Entre Tramas e Nós” e “Linha de Fuga” acontecem sábado (25/4), às 19h30, e domingo (26/4), 17h30, no Centro Cultural Casarão; e quarta-feira (29/4), 19h30, no Instituto de Artes da Unicamp. A entrada é franca.
Sob a concepção e a criação do artista Guilherme Viégas e com classificação etária de 16 anos, o Projeto Terror em Cena foi contemplado por dois editais de fomento: Entre Tramas e Nós pelo Plano Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura, do Governo Federal; e Linha de Fuga pelo Fundo de Investimentos da Cultura de Campinas (FICC), da Secretaria de Cultura e Turismo de Campinas. Em cena, a plateia confere a performance de cinco intérpretes: Eduarda Barone, Heloísa Duria, Maria Clara Torres, Maria Fernanda Sosa e Letícia Okuyama.
Quem for à sessão tem a oportunidade de assistir aos dois espetáculos do projeto: Entre Tramas e Nós” e “Linha de Fuga”, separados apenas por um breve intervalo. “Ambas as montagens foram construídas a partir de um processo de criação colaborativo em suas dimensões coreográfica, musical e dramatúrgica. Isso só foi possível a partir dos diálogos entre as diferentes formações e experiências trazidas pelos artistas, que busquei potencializar ao longo do processo criativo por meio de uma metodologia que une abordagens da dança-teatro desenvolvidas por Pina Bausch à aplicação prática de conceitos da coreomusicologia”, destaca Guilherme.
Sendo assim, em Entre Tramas e Nós, a plateia confere a jornada de um ser apático, tomado pela desesperança e atormentado por três bruxas, que ora parecem estar ali na sua frente, ora parecem estar apenas em sua mente. “É uma tragédia dançada, em que são pesquisadas as frestas entre o real e o sobrenatural para, então, se discutir o sofrimento psíquico”, pontua o diretor.
Já em Linhas de Fuga, são investigadas as cicatrizes adquiridas diariamente ao se viver em uma sociedade misógina e preconceituosa, assim como as ressonâncias dessas violências nos corpos das vítimas. “Neste processo, quatro trágicas histórias se entrelaçam em uma cruel — mas familiar — polifonia, de modo a trazer elementos do terror psicológico para dança”, completa Guilherme.
Para a bailarina Heloísa Duria, integrante do elenco, o projeto possibilitou um mergulho duplo: dentro de si e da narrativa proposta. “É uma constante redescoberta sobre si mesmo, sobre o que nos atormenta e como dançar esses medos, buscando entender também, enquanto grupo, como não deixar que eles tomem conta para além do processo criativo. É se questionar sempre sobre a verdade que você está, ou não, transmitindo ao público. E pensar isso, em uma dramaturgia envolta pelo terror, expande-se mais ainda”, avalia a artista.
Tanto para Guilherme quanto para Heloísa, os principais destaques dos espetáculos são as formas como o gênero do terror atravessa a dança-teatro, trazendo movimentações e estados de corpo não convencionais para a cena. “Além disso, eles contam com uma dramaturgia sonora pensada para potencializar os sentimentos vividos pelas personagens, bem como proporcionar a imersão do público na obra. Por fim, mas não menos importante, há também a interação com objetos não habituais em cena, o que garante novas e interessantes formas para se pensar a dança contemporânea”, reforçam.
Ao fim ou nas reticências, qual mensagem o projeto gostaria de plantar na consciência do público? “Os espetáculos buscam evidenciar as formas como as violências cotidianas reverberam no corpo, levando-nos a estados de apatia, ansiedade, angústia, tristeza e medo. Paralelamente, espera-se reforçar a necessidade de formar redes de apoio, de aprender a pedir ajuda (especialmente, de apoio profissional) em momentos de sofrimento psíquico e de nos mantermos atentos aos sinais discretos que essas doenças silenciosas podem deixar em pessoas ao nosso redor”, finaliza Guilherme.
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