Após polêmica sobre a remoção de bancas do Centro, Condepacc cria ‘Lugares de Memória’

A Banca do Alemão será a primeira (foto reprodução – facebook)

Depois da polêmica e dos protestos envolvendo a decisão de remover 52 bancas do Centro Histórico de Campinas, o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Condepacc) aprovou, nesta quinta-feira (9), a criação dos “Lugares da Memória”.

A medida surge em meio à pressão de comerciantes, trabalhadores e parte da sociedade civil, que criticaram a retirada das bancas como mais um episódio de esvaziamento do Centro. Agora, o novo instrumento pretende reconhecer espaços que marcaram a vida urbana da cidade, ainda que, na prática, não impeça intervenções ou transformações nesses locais.

Como primeiro caso, o Conselho abrirá processo para declarar a Banca do Alemão, no cruzamento da avenida Francisco Glicério e General Osório, em frente ao Largo do Rosário, como “Lugar da Memória”. Fundada em 1951, a banca é considerada a mais antiga em funcionamento em Campinas e se tornou um ponto simbólico de circulação de informação e convivência no Centro.

A proposta amplia o conceito de patrimônio ao incluir não apenas edificações de valor arquitetônico, mas também estabelecimentos ligados ao cotidiano, como padarias, cinemas, fábricas, lojas, cafés, livrarias, bancas e restaurantes, que ajudam a construir a memória coletiva da cidade. Vale tanto para espaços em funcionamento como para aqueles que não existem mais.

Diferentemente do tombamento, porém, o reconhecimento não impõe restrições legais: o espaço pode ser alterado, descaracterizado ou até desaparecer fisicamente, mantendo apenas o registro simbólico de sua importância. O instrumento funciona mais como um selo de valorização do que como mecanismo de preservação. A identificação será feita por meio de placas

A iniciativa terá início após a publicação da resolução que regulamenta a “declaração de lugar da memória” na legislação municipal. A abertura do processo de reconhecimento não garante a sua efetivação e dependerá de estudos técnicos, incluindo aspectos históricos e culturais, conduzidos pela Coordenadoria do Patrimônio Cultural.

A criação dos “Lugares da Memória” acompanha diretrizes já adotadas por órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e conselhos estaduais e municipais, que vêm incorporando categorias semelhantes para registrar referências culturais que escapam aos critérios tradicionais de tombamento.


Discover more from Carta Campinas

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Comente