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Fofoqueiros red pill estão na raiz do aumento da violência contra a mulher

(imagem chatgpt)

Durante muito tempo se dizia que as mulheres eram fofoqueiras, mas agora se sabe que era apenas um sintoma preconceituoso da cultura machista. Nada mais fofoqueiro do que os homens que seguem os canais red pill (pílula vermelha) que disseminam discursos de depreciação da mulher. Se toda fofoca tem um pouco de perversidade, os homens misóginos do red pill expressam da pior maneira possível essa perversidade fofoqueira que impulsiona a violência contra as mulheres.

São eles que estão na raiz do aumento da violência contra a mulher no Brasil. Um projeto no Senado Federal já tentou criminalizar a misoginia, mas alguns senadores, todos homens, barraram o projeto. A relatora do projeto foi ameaçada de morte.

Há décadas, grupos de homens que não passam de fofoqueiros frustrados, visto que a fofoca nasce também da frustração, têm atuado em fóruns de internet, redes sociais e outros canais de comunicação para estimular hierarquias de gênero e ódio contra as mulheres.

Espaços e discursos de ódio, segundo especialistas, são combustíveis para ações concretas de violência, como o caso recente de estupro coletivo contra uma adolescente no Rio de Janeiro.

Ativistas e pesquisadores veem esses movimentos e ideologias como parte de um fenômeno estrutural chamado “misoginia”: o ódio contra as mulheres e a defesa da manutenção de privilégios históricos – sociais, culturais, econômicos e políticos – para os homens.

Grupos misóginos têm códigos comuns para se comunicar e difundir ideias. Usam, como estratégia de falsa equivalência, o termo “misandria”, ao definir um suposto movimento de ódio e preconceito contra homens. Alegam, por exemplo, que o feminismo e leis de proteção à mulher são formas institucionalizadas de destruição da masculinidade.

Em resposta ao feminismo, que defende a igualdade de direitos e oportunidades, adotam o “masculinismo”: conjunto de ideologias que prega uma “masculinidade tradicional”, com direitos diferenciados para homens e mulheres.

A feminista e ativista Lola Aronovich sofre com ataques misóginos na internet desde 2008, quando criou o blog “Escreva Lola Escreva”. A luta dela resultou na prisão de um dos agressores e estimulou a criação da Lei nº 13.642/2018, que atribui à Polícia Federal a responsabilidade pela investigação de conteúdos misóginos na internet. Ela entende que os agressores possuem um perfil muito parecido.

“Desde o começo do meu blog, percebi que são homens héteros, de extrema direita. Todos apoiam lideranças como Bolsonaro e Trump. Esses homens sempre carregam um combo de preconceitos. Não são apenas machistas. São também racistas, homofóbicos, gordofóbicos, xenófobos, capacitistas”, avalia Lola. (com informações da Agência Brasil)

Carta Campinas

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