
Neste domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, as mulheres de Campinas se unem às mobilizações que acontecerão em todo o país contra a escalada da epidemia de feminicídios, em defesa de direitos e de viver com liberdade, em uma sociedade justa e igualitária. O ato será no Largo do Rosário, a partir das 9h.
Com uma pauta ampla, abrangendo os mais diversos tipos de violência, a manifestação, organizada pela Marcha Mundial das Mulheres, Mulheres pela Democracia e Bloco Vai Pra Cuba, também defende a democracia e a soberania, o fim das guerras e garantias para viver com respeito e dignidade, com autonomia sobre seus corpos e melhores condições de trabalho.
Entre as reivindicações, está o fim da escala 6×1, que pesa especialmente sobre mulheres. A jornada de trabalho de seis dias consecutivos para um de descanso contribui para o adoecimento e a precarização da vida das trabalhadoras, muitas delas responsáveis simultaneamente pelo trabalho remunerado e pelas tarefas domésticas e de cuidados com filhos e familiares.
Maria da Penha
A mobilização ocorre em um momento simbólico: 2026 marca os 20 anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 2006 e considerada um marco no enfrentamento à violência doméstica no país. Apesar dos avanços legais, os índices de violência continuam elevados e exigem políticas públicas mais eficazes de prevenção e proteção.
Dados recentes indicam crescimento recorde da violência de gênero no país. O Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (UEL), aponta que 6.904 mulheres foram mortas ou vítimas de tentativa de assassinato no ano passado. Dessas, 2.149 perderam a vida para o machismo, o equivalente a quase seis por dia.
Os estados com maior número de casos em números absolutos, segundo o levantamento, foram São Paulo (1.143 em 2025 e 651 em 2024), Minas Gerais (487 em 2025 e 401 em 2024) e Bahia (462 em 2025 e 277 em 2024).
Estatísticas divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo mostram que em janeiro de 2026 foram registrados 27 feminicídios, o maior número para o mês desde o início da série histórica.
Campinas e região
O primeiro assassinato de mulheres em Campinas em 2026 ocorreu na madrugada de 2 de fevereiro, no bairro Jardim Campos Elíseos. Rita de Cássia da Silva Coura, de 49 anos, foi espancada até a morte pelo ex-marido. Segundo a polícia, ela tinha uma medida protetiva que impedia o agressor de se aproximar.
Até o início de fevereiro deste ano, cinco mulheres já haviam sido assassinadas na Região Metropolitana de Campinas (RMC), em casos registrados em Valinhos, Sumaré, Itatiba, Artur Nogueira e Campinas. Em 2025, foram pelo menos 24 feminicídios, com Campinas liderando o número de casos.
Pesquisadores e organizações de defesa dos direitos das mulheres alertam que esses números podem ser ainda maiores pela subnotificação dos casos, seja pela ausência de denúncias ou pela tipificação das ocorrências, e que os feminicídios são apenas a face mais extrema da violência de gênero. Outros crimes contra mulheres, como ameaça, perseguição, violência psicológica, lesão corporal e estupro, também vêm crescendo de forma consistente nos últimos anos em todo o país.
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