Café Filosófico discute o corpo como vitrine de status e pertencimento

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Silvia Naidin discute como o corpo se tornou uma forma de ostentação (imagem arquivo pessoal -divulgação)

No encerramento do módulo “Ostentação”, a cientista social Silvia Naidin explica como escolhas estéticas expressam distinção e classe no Brasil  

Em um país onde o corpo ocupa um lugar central nas relações sociais, o Café Filosófico CPFL encerra, nesta quinta-feira (26), às 19h, o módulo “Ostentação” com um questionamento: o que estamos tentando mostrar ou esconder quando investimos na aparência? A palestra “Corpo plástico, investimento e ostentação”, ministrada pela cientista social e antropóloga Silvia Naidin, parte de um dado que ajuda a dimensionar esse cenário: o Brasil lidera o ranking mundial de cirurgias plásticas, com mais de 2 milhões de procedimentos em 2024, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética. Os encontros do Café Filosófico são presenciais e gratuitos, com entrada por ordem de chegada, a partir das 18h. A classificação é de 14 anos e a transmissão online é realizada no canal do Café no YouTube

A discussão propõe um mergulho no que está por trás dessas escolhas. Com base em anos de pesquisa etnográfica, especialmente no Rio de Janeiro, Silvia investiga como o corpo se transforma em um projeto contínuo, um território onde se cruzam expectativas sociais, autoestima, reconhecimento e pertencimento.  

“Se a ostentação organiza diferenças sociais, o corpo é hoje um dos seus meios mais potentes, porque está sempre visível e em constante avaliação. Em alguns contextos, a distinção passa por mostrar o investimento feito; em outros, o prestígio está justamente em esconder esse trabalho e parecer naturalmente bem cuidado”, afirma a cientista social. 

Nesse contexto, práticas como alimentação, rotina de exercícios, escolhas das roupas e procedimentos estéticos deixam de ser apenas decisões individuais para refletir padrões coletivos, especialmente no universo feminino, onde a cobrança por uma aparência equilibrada entre cuidado e naturalidade segue sendo um dos maiores paradoxos contemporâneos. A análise revela nuances importantes: enquanto, entre as classes populares, o corpo muitas vezes expressa de forma mais visível o investimento realizado, entre mulheres de classe média e alta a lógica se inverte e o ideal passa a ser justamente parecer que não houve esforço algum. Um “natural” que, na prática, exige disciplina, acesso e constância. 

Com curadoria de Michel Alcoforado, o ciclo propôs ao longo de março ampliar o olhar sobre a ostentação, deslocando-a da ideia de excesso para entendê-la como uma linguagem social. Depois de discutir seus atravessamentos emocionais, como a inveja, o módulo se encerra colocando o corpo no centro desse debate, visto como vitrine, investimento e, também, território de tensão. 

 Sobre a palestrante 

Silvia Naidin é doutora em Ciências Sociais pela UERJ, com pesquisa sobre as interfaces entre saúde, biotecnologias, gênero, corpo, classe social e mídia. Mestre em Antropologia Social pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris) e graduada em Ciências Sociais pela PUC-Rio, atua nas áreas de gênero, saúde e dinâmicas sociais contemporâneas. Atualmente, integra o Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa (IDOR), onde atua como coordenadora de extensão e docente nos cursos de Medicina e Psicologia. 

Serviço  

Café Filosófico CPFL, ao vivo, com Silvia Naidin, cientista social 

Quando: 26 de março, quinta-feira, às 19h 

Onde: Instituto CPFL 

Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632 – Chácara Primavera, Campinas/SP 

Entrada: gratuita, por ordem de chegada, a partir das 18h 

Participação online: canal do Café no YouTube 

Informações: institutocpfl.org.br 


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