(imagem Metehan Demirkaya - pxl)
Do 247 -A Holanda vem reduzindo silenciosamente sua jornada de trabalho e consolidando a semana de quatro dias como prática comum em diversas empresas, sem necessariamente cortar salários ou aumentar a carga diária. O modelo, já adotado inclusive por grandes companhias, ganhou força com o argumento de melhorar a qualidade de vida, elevar a produtividade e reduzir o desgaste físico e mental dos trabalhadores, relata a BBC News Brasil.
O país já se tornou referência global ao combinar uma das menores jornadas semanais da Europa com altos indicadores econômicos, embora especialistas apontem limites para a sustentabilidade do sistema diante do envelhecimento populacional e da estagnação da produtividade.
Uma decisão para não perder o tempo com os filhos
Um exemplo citado é a empresa Positivity Branding, sediada em Amsterdã, que adotou a semana de quatro dias em 2019. O cofundador Gavin Arm explica que a mudança foi motivada por uma reflexão sobre o equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
“Seus filhos só são pequenos uma vez”, afirmou Arm. Ele acrescenta que muitos empreendedores se dedicam totalmente ao trabalho para garantir estabilidade à família, mas acabam percebendo tarde demais o custo emocional dessa escolha: “Mas depois, quando elas ficam mais velhas, olham para trás e dizem ‘eu perdi essa parte da vida deles’, e isso é terrível. Nós não queremos ser assim”.
A empresa, que presta consultoria em identidade de marca e design de embalagens, manteve a carga semanal em 32 horas, distribuídas em quatro dias de trabalho de oito horas. Segundo o relato, os funcionários não tiveram redução salarial nem precisaram compensar o dia livre com jornadas mais longas.
“Trabalhar de forma mais inteligente”
O cofundador Bert de Wit também defendeu que a proposta não significa produzir menos, mas reorganizar prioridades. “O equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho esteve no centro da decisão”, disse. Ele rebate a crítica de que funcionários trabalham menos pelo mesmo salário e resume o conceito: “Trata-se de trabalhar de forma mais inteligente, não mais intensa”.
De Wit ainda aponta que o maior desafio está na transformação cultural. “Em outros países, as pessoas passam muito tempo no trabalho, mas isso não significa que trabalhem muito. Mudar a cultura e a mentalidade é o maior desafio”, afirmou.
Empresas relatam queda em licenças médicas e maior retenção
O avanço da semana de quatro dias também aparece no setor de tecnologia. A diretora de gestão de pessoas da empresa holandesa de software Nmbrs, Marieke Pepers, relata que passou a tirar folga toda sexta-feira e que isso trouxe ganhos pessoais e corporativos. “Gostamos de ter tempo para liberar a mente. Tenho minhas melhores ideias quando passeio com o meu cachorro”, disse Pepers. Ela complementa: “Ninguém espera nada de mim nesse dia, eu me inspiro, fico melhor e a empresa também”.
De acordo com Pepers, a experiência trouxe resultados concretos. “As licenças médicas diminuíram e a retenção aumentou”, afirmou. Ainda assim, ela admite que houve resistência inicial, inclusive de investidores e da própria equipe. “Tivemos que convencer os investidores. Nossos próprios funcionários estavam céticos no começo: ‘não consigo terminar meu trabalho nem em cinco dias’ [foi uma das reações]”, contou.
Ela diz que, para o modelo funcionar, a empresa precisou reorganizar rotinas internas. “Algumas pessoas se sentiam pressionadas. Mas precisamos ser extremamente criteriosos ao definir prioridades no nosso trabalho e reduzimos o número de reuniões”, explicou.
Menos horas trabalhadas e alta renda: o paradoxo holandês
A adoção gradual da semana de quatro dias na Holanda passou a atrair atenção internacional porque os trabalhadores holandeses têm, em média, a menor carga horária da União Europeia: 32,1 horas por semana, abaixo da média do bloco, de 36 horas.
Apesar disso, o país mantém um PIB per capita entre os mais altos da Europa, figurando próximo ao topo entre os membros da OCDE, organização que reúne economias desenvolvidas. Esse desempenho desafia a ideia de que países ricos precisam de jornadas longas para sustentar competitividade.
O movimento também recebe respaldo sindical. O maior sindicato holandês, a Netherlands Trade Union Confederation (FNV), pressiona o governo para transformar o modelo em recomendação oficial, embora os trabalhadores já tenham o direito legal de solicitar redução de jornada.
A representante sindical Yvette Becker, da FNV, afirma que a semana reduzida pode contribuir para diminuir desigualdades de gênero e melhorar o desempenho profissional. “Há ganho de produtividade com menor absenteísmo”, afirmou. (Do 247)
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