
Campinas recebe, a partir de sexta-feira, 27 de fevereiro, a exposição “A Falsa Minoria”, da artista visual Aura. A mostra permanece em cartaz até 27 de abril na Casa da Cidadania-Casa Esperança, com entrada gratuita e aberta ao público.
Além da exposição, estão previstas duas mediações culturais, nos dias 25 e 26 de fevereiro, às 15h30, antes da abertura oficial da mostra. As atividades buscam promover o diálogo direto entre obra, artista e participantes, criando um espaço de escuta, troca e reflexão, reforçando que essas pessoas não são apenas espectadoras, mas parte ativa e fundamental do projeto, enfatiza Aura.
A artista emprega a colagem analógica para trazer nove trabalhos criados a partir de materiais reciclados, como fotos, textos e imagens de revistas e jornais, dando novos significados a esses elementos a partir de um olhar crítico e sensível diante da “desigualdade, exclusão e luta por sobrevivência”, como define.
“Uso a colagem como linguagem artística capaz de recompor imagens fragmentadas por um sistema que insiste em empurrar para debaixo do tapete vidas e histórias consideradas indesejadas, mas que seguem existindo e resistindo”, destaca Aura.
Acesso à arte
“A Falsa Minoria” começou a ser elaborada em 2020, a partir da vivência de Aura como artista de rua e de sua pesquisa sobre grupos marginalizados. “Descobri que essas chamadas minorias não são minoria em número, mas representam uma minoria apenas no acesso a direitos básicos como respeito, saúde, cultura, lazer, educação e moradia. O termo nos faz parecer poucos e frágeis, quando, na verdade, somos fortes, resistentes e seguimos lutando todos os dias para existir e reafirmar nossa existência. Trazer essa exposição para uma casa de acolhimento é uma escolha consciente”, afirma.
A escolha do local onde suas obras serão expostas, reforça, faz parte central do projeto. “É um espaço de acolhimento para pessoas em situação de rua que oferece refeições, banho, acesso à internet, cursos formativos e diversos projetos de ressocialização, promovendo dignidade, visibilidade e acolhimento diariamente”.
A artista aponta o distanciamento da população em situação de rua nos espaços culturais tradicionais, como um reflexo de barreiras estruturais e econômicas que levam à exclusão. “O projeto entende a ocupação da Casa Esperança como um gesto político, urgente e necessário. Diante dessa realidade, parte-se do princípio de que, se essas pessoas não conseguem chegar até a arte, a arte precisa chegar até elas”, frisa.
Acessibilidade
O projeto disponibilizará material impresso em braile, catálogo digital acessível em PDF com ficha técnica e informações sobre as obras, além de registro fotográfico das ações. As audiodescrições das obras e do texto curatorial estão no canal do YouTube do Conselho Municipal da Juventude de Campinas e o catálogo está disponível pelo link. (Com informações de divulgação)
Serviço
Data: 27 de fevereiro a 27 de abril de 2026
Horário: segunda a sexta das 14h30 às 20h e sábados das 8h às 20h
Mediações culturais: 25 e 26 de fevereiro, às 15h30, gratuitas e abertas ao público
Local: Casa da Cidadania-Casa Esperança
Endereço: Rua Francisco Teodoro, 138, Vila Industrial, Campinas-SP
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