Categories: Programe-seTeatro

Espetáculo inspirado em poema de Carlos Drummond será encenado em Indaiatuba

(foto mauro machado – divulgação)

Qual o paradeiro de Luísa Porto? Personagem emblemática da consciência criativa de Carlos Drummond de Andrade, a mulher, que habitava a Rua dos Santos Óleos, pode ser atualmente encontrada no palco. Fruto da inquietação e do fascínio da atriz Graziele Garbuio pelo poeta mineiro, solo teatral O Desaparecimento de Luísa se torna um convite para reviver em cena o tal mistério do sumiço. Em Indaiatuba (SP), o espetáculo será encenado sexta-feira (27/2) e sábado (28/2), às 20h, no Teatro EstradaA entrada é gratuita. Importante: a apresentação de sábado contará com Intérprete de Libras.

A circulação do espetáculo faz parte do projeto Ações para não Desaparecer, contemplado pelo Edital Produção e Temporada de Espetáculo Teatral Inédito, do ProAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas, do Governo do Estado de São Paulo. Além de 12 apresentações do solo por diversas cidades do interior e do litoral de São Paulo, com recursos de acessibilidade em Libras e Audiodescrição, a ação prevê a realização de uma oficina.

A semente do solo, que tem concepção, direção e atuação assinadas pela atriz Graziele Garbuio, foi lançada em março de 2024. Na ocasião, a artista começou o processo de pesquisa em sala de ensaio para encenar o poema Desaparecimento de Luísa Porto do poeta mineiro, que a atriz pesquisa desde 2018, quando ingressou na Pós-graduação em Artes da Cena, do Instituto de Artes, da Unicamp. “Este poema sempre teve um impacto muito grande em mim. Emocional mesmo! Por essa razão, entendi que queria representá-lo no teatro. O estudo que comecei sozinha virou projeto de espetáculo, e aqui estamos, com um trabalho original”, destaca Graziele.

Para transformá-lo em texto teatral, a atriz convidou Gabriela Guinatti, escritora, dramaturga e diretora teatral. A tarefa não foi nada fácil, reconhece a artista. “O maior desafio de adaptar um poema para a cena é que, ao fazer essa adaptação, precisamos encontrar nas entrelinhas do poema a ação que desencadeia a próxima, e assim sucessivamente, pois é dessa forma que se constrói um texto dramatúrgico. O poema parte do subjetivo, de uma palavra colocada para contemplar uma sensação. Já no texto dramatúrgico, é preciso que a palavra se some a uma ação, para que dela surja o movimento, a ação em si”, conta.

Apesar da grande inspiração pelo poema, a dramaturgia em cena é fruto de um intenso processo criativo e coletivo, que resultou em uma fábula totalmente original, mas com características muito presentes na obra drummondiana, entre elas a ironia, a criação de imagens metafóricas, o ato de dizer sem dizer e o compromisso crítico da arte. “Esse texto foi construído pensando em cada palavra. Quando a gente faz esse trabalho artesanal com a palavra no texto teatral, acaba tomando apreço por cada vírgula que está ali”, avalia Gabriela.

Na cena, a atriz Graziele Garbuio interpreta diversas personagens, como Maria, a mãe, e Rita, a melhor amiga de Luísa. “Esses são os desafios da atuação e da encenação. Da atuação, porque necessito construir qualidades diferentes para cada uma delas, em transições rápidas. Da encenação, porque precisamos que todos os elementos do espetáculo, como som, luz e figurino, por exemplo, colaborem para construir essas transformações”, pontua Graziele.

Ao longo da narrativa, o solo busca despertar diversas sensações no íntimo do espectador. Graziele dá spoilers: qualidades de emoção e reflexão. “A trama apresenta um mistério e mostra como ele se entrelaça com a particularidade dos indivíduos e suas histórias pessoais. É possível que cada espectador saia da peça com um pensamento próprio, uma percepção única. Ou, melhor dizendo, é possível que nossa história ecoe em cada um de um jeito diferente”, completa.

Mas, afinal, quem é Luísa? A atriz e dramaturga concordam: uma das tantas mulheres que existem por aqui, pelo mundo. Uma mulher que tem mãe, que tem amiga, que tem sonhos. E quais perguntas sua travessia deixa ao íntimo do espectador? “São profundas, complexas e abrangentes, como: por que determinadas coisas acontecem com determinadas pessoas? Por que escolhemos viver de uma forma e não de outra? Ou por que tratamos certas situações da vida e determinadas relações de um jeito e não de outro?”, instiga a atriz.

 

SINOPSE

Livremente inspirado no poema Desaparecimento de Luísa Porto, de Carlos Drummond de Andrade, a trama narra episódios que envolvem a vida de Luísa, sua mãe Maria e sua melhor amiga Rita. Numa manhã que poderia ser como outra qualquer, um acontecimento inesperado mergulha a vida destas mulheres em profundo mistério.

FICHA TÉCNICA

Concepção, Direção e Atuação: Graziele Garbuio

Texto: Gabriela Guinatti

Trilha Sonora e Composição: Felipe Macedo

Direção Musical e Preparação Vocal: Marcelo Onofri

Assistência em Direção Cênica: Tiche Vianna

Preparação Corporal: Ana Carolina Salomão

Iluminação: Eduardo Albergaria

Figurino e caracterização: Graziele Garbuio

Design gráfico: Renan Villela

Fotografia: Mauro Machado – Estúdio Câmera 55

Coordenação geral: Graziele Garbuio

Classificação indicativa: 16 anos

Duração: 60 min

 

SAIBA MAIS

O quê: O Desaparecimento de Luísa, solo de Graziela Garbuio
Quando: 
Sexta-feira (27/2) e sábado (28/2), às 20h

Onde:  Teatro Estrada (Rua Cinco de Julho, 1552, no Centro, em Indaiatuba | SP)
Quanto:
 Entrada gratuita
Importante: A apresentação de sábado contará com Intérprete de Libras.

Parceiro Carta

Recent Posts

Caso Valdemar da Costa Neto mostra como o Congresso se tornou inimigo do povo

(imagem divulgação) O caso Valdemar da Costa Neto é um ótimo exemplo de como a…

10 hours ago

Festival Rock na Concha reúne Cólera e mais quatro bandas independentes no Parque Taquaral

(foto marcelo braga - divulgação) Às vésperas do Dia Mundial do Rock, Campinas recebe um…

10 hours ago

Candidatura de Fernando Haddad ao governo de SP será lançada oficialmente em Campinas no dia 25

(foto marcelo carmargo - agência brasil) O Partido dos Trabalhadores (PT) definiu Campinas como sede…

15 hours ago

Exposição no MACC atravessa cinco décadas de criação de Claudio Tozzi

(foto bruna melo - divulgação) O Museu de Arte Contemporânea de Campinas José Pancetti (MACC)…

17 hours ago

SUS cria plataforma para atendimento em saúde mental de adolescentes e jovens

(imagem pxb) Adolescentes e jovens de 13 a 24 anos podem receber gratuitamente atendimento em…

1 day ago

Fazenda Roseira terá dois dias de cultura popular com o Arraial Afro da Comunidade Jongo Dito

(foto bianca lúcio - divulgação) A Comunidade Jongo Dito Ribeiro realiza a 24ª edição do…

2 days ago