
Nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, o espaço AT AL 609 — Lugar de Investigações Artísticas, na rua Antonio Lapa, 609, no bairro Cambuí, em Campinas (SP), recebe um encontro singular entre poesia, performance e diálogo: “Eu te daria minha vida, mas estou vivendo” — Literatura, HIV e Arte.
O evento reúne os poetas Bruno Couto (Brasil) e Chinĩ (Paraguai | Espanha) em uma noite atravessada por experiências entre Brasil, Paraguai e Espanha — corpos, palavras e criações artísticas que se encontram em torno da vida com HIV. Em um tempo em que a escuta e a partilha são formas de resistência, a programação propõe um espaço de afeto e reflexão sobre vivências com o vírus, reunindo performances, declamações de poesia e uma conversa aberta entre os autores.
A entrada é aberta ao público.
POR QUE ESTE ENCONTRO É URGENTE
Estamos na era pós-coquetel. A resposta à epidemia do HIV avançou — mas o preconceito persiste. O debate público sobre o vírus ainda é dominado por campanhas de prevenção que pouco falam sobre linguagem, sobre o corpo que é texto, sobre o que significa narrar a própria existência soropositiva. É diante desse silêncio que “Eu te daria minha vida, mas estou vivendo” se impõe.
Pronunciar as siglas — VIH, HIV —, escrevê-las, dá forma e sensibilidade a um novo imaginário. A literatura e a performance se tornam instrumentos para modificar o vírus do preconceito: aqui, o corpo é palavras em texto, o corpo baila e faz amarrações de amor. Trazer ao espaço poético o corpo marcado pela medicação antirretroviral é um ato político e estético. Neste encontro, o corpo que vive com HIV narra sua história em sua própria perspectiva — e essa narração, em si, é resistência.
Venha conhecer e estar em contato com as letras e os significados de se relacionar poética e afetivamente com as pessoas que vivem com HIV.
PROGRAMAÇÃO
19h00 Abertura e boas-vindas
19h15 Remedios yuyos para cuerpxs infecciosxs e Amarração de Amor — performance e declamação de poesias
19h45 Diálogo entre palavras e poesias de VHIDA — Conversa aberta entre Bruno Couto e Chinĩ sobre literatura, HIV, arte e suas trajetórias poéticas (30 minutos)
OS ARTISTAS
Chinĩ (Paraguai | Espanha)
Poeta 108, paraguayx madrileñx migrante. VIH+, guaraní jopará parlante. Nascido em Ka’a Guasu, Paraguai, em 1987, durante a ditadura de Alfredo Stroessner, Chinĩ é biólogo pela Universidad Nacional de Asunción e pesquisou a diversidade de ranas e sapos de Piri Vevui, pueblo de sua mãe e de sua infância. Em 2019, recebeu o diagnóstico de HIV — o mesmo ano em que migrou para Madrid, onde atualmente trabalha como arborista e vigia na Casa de Campo.
Em 2025, publicou Corpus infecciosa — 30 comprimidos — suspensión oral, obra que explora as feridas abertas pelo vírus do HIV-SIDA: o diagnóstico, o luto migratório e os traumas de um corpo enfermo-são. Escrita numa mescla singular de espanhol e guarani, entrelaçando poesia e biologia, a obra de Chinĩ transforma a linguagem em matéria viva. A enfermidade do corpus infecciosa é tratada como ferida pública e íntima, reflexo das veias abertas da Abya Yala e dos corpos-continentes humanos e além-humanos. Peles que habitam a terra, peles de marikas migrantes com HIV-SIDA, de imigrantes com enfermidades crônicas: presenças que incomodam e que persistem.
“la piel tiene memoria y la tuya es oura y blanca. la mía es una selva de ronchas, carne mechada, montes.”
Bruno Couto (Brasil)
Poeta e professor de Português para Estrangeiros. Nasceu no Rio de Janeiro, bairro do Andaraí (Zona Norte), em 1989. Graduado em Letras, com foco nas Literaturas de Língua Portuguesa, Africana e Brasileira, atualmente cursa Mestrado em História e Teoria Literária na UNICAMP.
É autor de Amarração de Amor: pagamentos após resultados (Urutau, 2023), além de participações em diversas antologias e coletâneas em prosa e poesia. Sua escrita direta e afetiva mergulha na cultura pop queer, no cotidiano, no amor e na rejeição — no que é ser bicha hoje. Bruno Couto interfere no espaço poético com pequenas frases que lançam perguntas sem resposta certa, abrindo o imaginário do leitor para o que ainda não conseguimos nomear.
“perguntas para as quais eu não sei as respostas— Será que uma pessoa com HIV namoraria você?”
REALIZAÇÃO E PARCEIROS
Realização: AT AL 609 Lugar de Investigações Artísticas e Loca Sí Soy — Produções Culturais
Parceria: Um Rinoceronte — Edições
Instagram: @locasisoy.
INFORMAÇÕES
Data: 25 de fevereiro de 2026 (quarta-feira)
Horário: 19h00
Local: AT AL 609 Lugar de Investigações Artísticas — Rua Antonio Lapa, 609, Cambuí, Campinas – São Paulo
Entrada: Aberta ao público
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