
A peça Colchão de Ver Estrelas, do Coletivo Artístico Emaranhados, com o ator Bruno Mariani e dirigido por Erika Cunha, faz uma mini temporada em espaços culturais de Campinas. O monólogo traz à cena as histórias que cruzam os corredores da assistência pública e os invisíveis becos da cidade, contando sua experiência afetiva com pessoas em situação de rua, memória viva de anos de atuação com pessoas em situação de rua, com quem Bruno trabalhou através do Consultório na Rua de Campinas, campo que também alicerçou sua pesquisa de doutorado na Unicamp.
A dramaturgia foi levantada a partir de improvisações em sala de ensaio, dialogando com dezenas (centenas?) de histórias vistas, vividas e ouvidas. Assim, pessoas, histórias, tempos, imaginações, fantasias se misturam em uma expressão afetiva da construção dessa experiência.
No espetáculo, entre sofrimento, poesia e loucura apresentamos uma necessária reflexão sobre o que nos toca em histórias invisibilizadas que dialogam profundamente com o que constitui nossas margens emocionais, corporais e sociais. O que nossa relação com a loucura e com a rua fala de nós, tanto individualmente, quanto socialmente? Não se trata de um relato dessas histórias, não se fala por essas pessoas, se fala de um ‘entre’ possível, da relação-vivência, sobretudo se fala para elas, em homenagem a elas.
Essas reflexões disparam nosso processo criativo colocando um olhar singular para nossa experiência com essas pessoas, para nossa experiência – pessoal e coletiva – com a loucura. Com a sensibilidade de um artista e a escuta de um sanitarista, Bruno Mariani, tem feito da arte uma trincheira de luta em defesa da vida e da dignidade.
E é isso que vai para cena a partir da experiência do ator – suas histórias vistas, ouvidas, vividas nas ruas e na relação com essas pessoas compõem um mosaico dramatúrgico que, muito para além de falar de alguém, homenageia o povo da rua e a vida na rua. Sem romantizações, mas com poesia.
Ator formado em Artes Cênicas pela Unicamp, Bruno também é médico sanitarista com longa trajetória na Saúde Coletiva
Sinopse:
Entre seu confinamento e a rua, um escritor transborda-se na criação de “seus filhos”, são pássaros que vêm nos contar o que viram e o que viveram, enquanto migram entre cidades. Tensionado entre a clausura do quarto e a liberdade da rua, entre a necessidade da escrita (da ordem) e do esquecimento (do caos) nosso escritor deriva numa nublada margem entre história, memória e delírio.
Ficha Técnica
Atuação e dramaturgia: Bruno Mariani
Direção: Érika Cunha
Produção: Coletivo Emaranhados
Música: Esteban Pelao
Cenografia: Julio Dojcsar
Figurino: Amanda Vadillo
Iluminação e operação de luz: Maíra Prates
Operação de som: Islaine Garcia
Pesquisa: Bruno Mariani e Érika Cunha
Design: Jasmine Alves
Serviço:
Sessões gratuitas
06/03 – 16:00 e 20:00 – Sala dos Toninhos R. Francisco Teodoro – Vila Industrial (Campinas), Campinas – SP
28/03* – 20:00 e 29/03 – 19:00 – Espaço Cultural Maria Monteiro – R. Dom Gilberto Pereira Lopes, 412 – Conj. Hab. Padre Anchieta, Campinas – SP, 13068-217
*Sessão com audiodescrição e intérprete de libras ao vivo
*“Projeto realizado com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Campinas, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e do Fundo de Investimentos Culturais de Campinas – FICC 2024″.
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