Categories: Economia Política

ADunicamp repudia violência da extrema direita contra estudantes na Calourada 2026

(imagem vídeo reprodução)

A Diretoria e o Conselho de Representantes (CR) da ADunicamp tornaram pública, nesta terça-feira, 25 de fevereiro, uma moção de repúdio aos atos de violência e intimidação ocorridos no campus da Universidade Estadual de Campinas, especialmente durante a Calourada de 2026, realizada no dia 23 de fevereiro. O documento denuncia a invasão de uma atividade oficial de recepção aos estudantes ingressantes por um grupo externo à comunidade universitária, que teria provocado tumulto, ameaças e agressões físicas. O grupo seria ligado ao MBL, organização de extrema direita que costuma atacar professores de escolas públicas, funcionários da saúde pública e em outros espaços públicos.

Segundo a moção, os acontecimentos “atentam contra a integridade da comunidade acadêmica e contra o princípio constitucional da autonomia universitária”, não se tratando de um episódio isolado. A Diretoria e o CR afirmam que há uma ação articulada de atores políticos vinculados à extrema-direita, que vêm promovendo hostilizações e tentativas de constrangimento ideológico em universidades públicas paulistas.

O texto também contextualiza os fatos em um cenário mais amplo de ataques às instituições de ensino superior. De acordo com a moção, ao longo de 2025 foram registrados episódios de invasões de espaços acadêmicos, gravações não autorizadas, exposição intimidatória de membros da comunidade universitária nas redes sociais e incitação ao confronto, tanto na Unicamp quanto em outras universidades públicas do estado. Essas práticas, aponta o documento, configuram uma “estratégia sistemática de intimidação política”.

Diante da gravidade da situação, a Diretoria da ADunicamp e o Conselho de Representantes repudiam categoricamente os atos de violência, exigem a apuração rigorosa dos fatos e a responsabilização civil e criminal dos envolvidos. A moção reafirma ainda o compromisso da entidade com a autonomia universitária, a liberdade de cátedra e a defesa da educação pública, gratuita e democrática, além de determinar sua ampla divulgação institucional e o encaminhamento a autoridades e órgãos públicos para que se posicionem em defesa das universidades públicas.

LEIA A MOÇÃO:

O Conselho de Representantes e a Diretoria da Associação de Docentes da Unicamp vêm a público manifestar repúdio veemente aos atos de violência e intimidação ocorridos no campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), especialmente durante a Calourada de 2026, realizada em 23 de fevereiro, quando grupo externo à comunidade universitária invadiu atividade oficial de recepção a estudantes ingressantes, provocando tumulto, ameaças e agressões físicas.

Os acontecimentos são graves e atentam contra a integridade da comunidade acadêmica e contra o princípio constitucional da autonomia universitária. Não se trata de episódio isolado, mas de ação articulada por atores políticos vinculados à extrema-direita que, reiteradamente, têm promovido hostilizações, provocações ideológicas e tentativas de constrangimento a estudantes e docentes em universidades públicas paulistas.

Ao longo de 2025, na Unicamp e na USP registraram-se invasões de espaços acadêmicos, gravações não autorizadas, exposição de membros da comunidade universitária nas redes sociais com intuito intimidatório, incitação ao confronto e disseminação de conteúdos destinados a deslegitimar o ambiente universitário como espaço plural e democrático. Tais práticas configuram estratégia sistemática de intimidação política e afrontam diretamente o direito fundamental à educação.

Observa-se, ainda, no cenário mais amplo do Estado e do país, uma escalada de violência contra professores, professoras e servidores públicos, com episódios de ameaças, perseguições e campanhas de difamação dirigidas a profissionais da educação. Esse ambiente de hostilidade compromete o livre exercício da docência e fragiliza o conjunto dos serviços públicos.

A universidade pública constitui patrimônio social e instrumento essencial de formação crítica, produção de conhecimento e desenvolvimento social. Sua autonomia didático-científica, administrativa e de gestão é garantia constitucional e condição indispensável ao pleno funcionamento da democracia.
Diante da gravidade dos fatos, o Conselho de Representantes e a Diretoria da Associação de Docentes da Unicamp:

– Repudia categoricamente os atos de violência ocorridos em 23 de fevereiro de 2026 e todos os demais ataques dirigidos à Unicamp e às universidades públicas do Estado de São Paulo
– Exige a apuração rigorosa dos acontecimentos e a responsabilização civil e criminal dos envolvidos, inclusive daqueles que incitam ou legitimam tais práticas
– Reafirma seu compromisso inegociável com a autonomia universitária, a liberdade de cátedra e a defesa da educação pública, gratuita e democrática
– Encaminha a presente moção à Presidência da Câmara Municipal de Campinas, à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, ao Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, ao Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas e ao Secretário de Educação do Estado de São Paulo, solicitando posicionamento público firme em defesa da autonomia universitária e das instituições públicas de ensino superior
– Determina sua ampla divulgação institucional.

Campinas, 25 de fevereiro de 2026.

Conselho de Representantes
Diretoria da ADunicamp

Carta Campinas

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