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Uso prolongado de omeprazol pode trazer risco de osteoporose e anemia, indica pesquisa

(imagem Polina Tankilevitch -pxl)

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) alerta que o uso prolongado de inibidores da bomba de prótons (IPBs) pode prejudicar a absorção de nutrientes. A classe de medicamentos, representada por fármacos como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol, é utilizada no tratamento de distúrbios gástricos e seu uso inadequado, por períodos superiores aos recomendados por médicos, pode causar deficiências nutricionais, como anemia, além de comprometer a saúde óssea. Os resultados foram publicados na revista ACS Omega.

A pesquisa, apoiada pela FAPESP, avaliou os efeitos do uso contínuo desse medicamento na absorção de minerais essenciais como ferro, cálcio, zinco, magnésio, cobre e potássio em ratos. Os animais que receberam o medicamento apresentaram alterações na distribuição desses nutrientes pelo organismo. Os pesquisadores observaram que o medicamento altera a distribuição de minerais no corpo, com acúmulo no estômago e desequilíbrios no baço e no fígado. No sangue, observaram aumento de cálcio e queda de ferro, indicando risco de osteoporose e anemia. Também foram detectadas mudanças importantes nas células do sistema imune.

“O achado mais preocupante foi o aumento significativo de cálcio na corrente sanguínea dos animais, o que pode indicar um desequilíbrio com a retirada do mineral dos ossos e risco futuro de osteoporose. No entanto, são necessários estudos mais longos para confirmar essa hipótese”, afirma Angerson Nogueira do Nascimento, professor da Unifesp que coordenou o estudo em parceria com Fernando Fonseca, da FMABC.

Com mais de 30 anos no mercado, o omeprazol tornou-se amplamente utilizado, muitas vezes de forma prolongada e sem acompanhamento médico. “Não se trata de demonizar o medicamento, que é eficaz para diversas condições gástricas. O problema é o uso banalizado, inclusive para sintomas leves como azia, e por períodos prolongados por meses e até anos. Seus efeitos adversos não devem ser negligenciados”, alerta Andréa Santana de Brito, pesquisadora da Unifesp. O estudo foi objeto de sua pesquisa de mestrado.

Ela ressalta que a situação pode se agravar com a nova portaria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que liberou, em novembro de 2025, a venda de omeprazol 20 mg sem prescrição médica. “Essa facilidade pode estimular a automedicação e o uso contínuo, desrespeitando a recomendação de limitar o tratamento a 14 dias”, alerta. (Maria Fernanda Ziegler – Agência Fapesp- texto integral aqui)

Carta Campinas

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