
Uma nova manifestação contra o aumento da tarifa do transporte público e pela adoção da tarifa zero está marcada para esta quinta-feira, 29 de janeiro, em Campinas. O ato tem concentração prevista para 17h, no Largo do Rosário, na região central da cidade, e ocorre em meio a uma sequência de problemas enfrentados diariamente pelos usuários do sistema de ônibus.
Além do reajuste recente no valor das passagens, a população convive com frota sucateada, falhas recorrentes, atrasos, superlotação e calor. Casos de ônibus que pegam fogo ou quebram em plena operação têm se tornado frequentes. Na manhã da última terça-feira (27/1), um coletivo da linha 263, que liga os terminais Mercado I e Padre Anchieta, apresentou uma falha grave na Avenida Lix da Cunha, por volta das 7h50. Com a porta quebrada, passageiros precisaram sair pelas janelas, em uma cena que gerou indignação e reacendeu o debate sobre a segurança e a manutenção da frota.
O episódio ocorre poucas semanas após o reajuste das tarifas, em vigor desde 1º de janeiro. O bilhete único comum passou de R$ 5,70 para R$ 6,00, enquanto o vale-transporte subiu de R$ 6,20 para R$ 6,50. Também houve aumento nos bilhetes escolar e universitário, além da tarifa da Linha Centro. Com isso, Campinas permanece entre as cidades com o transporte público mais caro do país, apesar das recorrentes queixas sobre a qualidade do serviço.
Parlamentares da cidade criticam a precariedade, o modelo de gestão do sistema e a atuação da Administração municipal. “Causa muita indignação a forma que a gestão Dário (do prefeito Dário Saadi, Republicanos) trata a população trabalhadora no transporte público de Campinas. São idosos, mulheres, jovens que sofrem cotidianamente pela má qualidade dos ônibus e pela alta tarifa”, afirma Guida Calixto (PT).
A vereadora Fernanda Souto (PSOL) afirma que, enquanto a população paga caro e enfrenta a precariedade, a Prefeitura amplia subsídios às empresas do setor e mantém a licitação do transporte atrasada. Wagner Romão (PT) também critica o cenário, ressaltando que Campinas combina uma das piores frotas da região com uma das tarifas mais altas do país, licitação atrasada há uma década, recusa de recursos federais e aumento dos subsídios.
No mesmo sentido, o vereador Gustavo Petta (PCdoB) diz que os problemas são recorrentes e faltam respostas do poder público: “A Prefeitura deve explicações e soluções para a população”. Já para Paolla Miguel (PT), o episódio do ônibus “supostamente novo” que quebrou, simboliza a falência do modelo atual de transporte na cidade.
O protesto do dia 29 não é o primeiro do ano. Em 14 de janeiro, movimentos sociais, entidades e organizações estudantis já haviam realizado um ato unificado contra o aumento da tarifa e pela municipalização do transporte, com concentração no Terminal Central, reunindo manifestantes em protesto e panfletagem.
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