A realidade nebulosa da exposição coletiva sobre luz e sombra na Galeria Contempo

Obra do artista Paulo Agi, intitulada “O que sobra da caça” (2025).

No próximo sábado, dia 24 de janeiro, acontece a abertura de “Penumbra”, coletiva de Ana Takenaka, Nicholas Steinmetz e Paulo Agi na Galeria Contempo. A exposição, que tem curadoria e texto de Gabriel San Martin, conta com mais de uma dezena de obras em pequeno, médio e grande formato que transitam entre desenho e pintura. Reunindo um conjunto que se volta a formas diversas de manipulação da luz a partir de processos como silhuetamento, encobrimento e retirada de camadas de tinta, a exposição estabelece um diálogo entre esses diferentes processos e o modo como refletem uma realidade nebulosa e definida pela ausência quase que completa de certezas.

“Penumbra nomeia o instante em que luz e sombra se equivalem em meia-luz. Não é de estranhar, portanto, que todos esses trabalhos se voltem a uma espacialidade dispersa. A estrutura descontínua das composições é, no fim, resultado do seu próprio deslocamento frente a uma situação histórica vacilante – certo tipo de condução mal orientada quanto à realidade em que coube a elas viver. Entregues ao escuro, as obras voluntariamente enfraquecem as suas bases materiais para restituir ao mundo o peso de uma existência difusa. E, num presente sem contornos fixos como o nosso, parece fácil conceber que as respostas mais esclarecedoras se movam mesmo pelas sombras. Ainda que não haja lugar com tanta resposta incerta quanto aqui”, escreve Gabriel no texto que introduz a mostra.

Os Artistas

Ana Takenaka (1987, São Bernardo do Campo, SP. Vive e trabalha em São Paulo, SP):

Trabalhando em especial com desenho e gravura, Ana Takenaka (1987, São Bernardo do Campo, SP) explora as relações entre linha e nitidez enquanto fios condutores da sua pesquisa. Interessada em questões que tangenciam desde temporalidade até a impermanência e os limites do mundo material, a artista tem uma prática voltada à manipulação da luz, remoção do carvão e translucidez dos materiais para, por meio de gestos e marcas gráficas, configurar imagens vagarosamente conhecidas.

Graduada em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, Ana Takenaka realizou individuais como “Vigilia” (2025, Galeria Pilar, SP), “Tudo flutua no tempo” (2023, Graphias Casa da Gravura, SP) e “Aonde a distância do horizonte se perde” (2019, Atelier Piratininga, SP). Entre as coletivas de que participou, destacam-se “Pentimento” (2025, Caroço Projeto, SP), “Em Mãos” (2024, Galeria Raquel Arnaud, SP) e “Meios e Processos” (2020, FAMA, SP), além de participações em bienais, premiações e residências internacionais.

 

Nicholas Steinmetz (1996, Curitiba, PR. Vive e trabalha em São Paulo, SP):

A produção de Nicholas Steinmetz (1996, Curitiba, PR – Vive e trabalha em São Paulo) transita entre narrativa, espacialidade e o anacronismo da construção da imagem. Alimentado por uma constelação de narrativas captadas do mundo das imagens, seus trabalhos exploram fragmentos de histórias e rituais, abordando temas como corpo, natureza, memória, gênero e estruturas sociais.

Desde 2022, participou de diversas exposições coletivas e realizou quatro individuais, incluindo “Pé de Galinha” (2024), no Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC/PR), e “Arcada” (2025), na 25M São Paulo. Steinmetz é também cofundador do Espaço Totó, em São Paulo, ateliê coletivo e espaço cultural voltado à experimentação em montagens expográficas.

 

Paulo Agi (1997, Paranaba, MS. Vive e trabalha em São Paulo, SP):

Marcada pelo uso de uma técnica de retirada da matéria, a produção de Paulo Agi (1997, Paranaíba, MS) se dá em uma pintura de luminosidade formada por subtração. Ao construir o fundo e depois retirar finas camadas de tinta ou carvão para revelar a luz, o artista experimenta com a revelação gradual de figuras e de silhuetas informadas por memórias incertas da vida interiorana do Cerrado e do Pantanal.

Graduado em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes (São Paulo), realizou a sua primeira individual em 2025, “Quimera”, na Casa Fiat de Cultura. Participou de coletivas em instituições como a Casa do Olhar Luiz Sacilotto (Santo André-SP), Museu Histórico da Cidade (RJ), Memorial da América Latina (SP) e Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC-USP), além de espaços independentes como a Gruta e o Lapa, lapa.

 

Informações:

Abertura: Sábado, 24 de janeiro de 2026, das 10h às 16h.
Até: Sábado, 14 de fevereiro de 2026.
Endereço: Galeria Contempo, Al. Gabriel Monteiro da Silva, 1644, Jardim América, SP.
Contato: (11) 3032-5795 | (11) 97080-7273 | www.galeriacontempo.com.br


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