Categories: Economia Política

Extrema direita quer proteger políticos financiados pelo tráfico e barrar ação da Polícia Federal

(imagem reprodução)

Estamos entrando na era do necropopulismo. A proposta da extrema direita de igualar o tráfico de drogas ao terrorismo tem dois objetivos claros: beneficiar os traficantes ricos, líderes de facções, que financiam políticos de direita, e permitir a matança de traficantes pobres como álibi eleitoral.

A matança de traficantes pobres nas favelas, como fez Cláudio Castro(PL-RJ), torna-se um álibi para as associações de políticos com líderes e financiadores do tráfico. O tráfico de drogas já está nas instituições.

Segundo a pesquisadora Jacqueline Muniz, professora da UFF e especialista em segurança pública, são os governos que organizam o tráfico de drogas e entregam territórios para as facções. Veja vídeo abaixo.

Isso fica claro com a inversão total feita pelo deputado de extrema direita, Guilherme Derrite (PL-SP), ex-secretário de Tarcísio de Freias (Republicanos), governador de São Paulo. A proposta do deputado extremista tem dois objetivos claros: blindagem de políticos ligados ao tráfico e liberdade para matar traficantes de favelas. (link) Essa é a lógica da direita em todas ações sobre segurança pública.  Derrite transformou uma proposta de combate ao crime em PL da Bandidagem.

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e juristas consideram que qualquer tentativa da extrema direita (PL, Republicanos, PP e outros partidos) de limitar a atuação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) no enfrentamento ao crime organizado viola a Constituição. 

Essa questão fica mais clara ainda com a fala da professora de direito da UnB (Universidade de Brasília), Beatriz Vargas Ramos.

“Eu não preciso fazer colar no tráfico a ideia de terrorismo por uma razão muito simples. Do ponto de vista meramente jurídico: o tráfico é crime hediondo, terrorismo também é. O terrorismo é crime insuscetível de graça, anistia e indulto. O tráfico também. O terrorismo é inafiançável. O tráfico também, ou seja, o tratamento penal, o tratamento legal dado a esses tipos penais diferente é equivalente. Ou seja, qual é a razão lógica, racional, que não seja meramente retórica (populista), que não tenha um efeito de força de expressão. Sabe, grito de torcida no Maracanã. Que não seja isso. O que que me leva a chamar o tráfico de terrorismo ou de chamar de narcoterrorismo? Porque os traficante podem também praticar o terrorismo, podem também se dedicar ao terrorismo, podem inclusive, às vezes, em que facções do tráfico se utilizem do tráfico para incrementar ação terrorista ou vice-versa. Nesse caso, eles vão responder pelo tráfico e pelo terrorismo. Inclusive, me parece benefício. Eles passam a responder por um crime só. O tráfico é uma coisa, o terrorismo é outra. A minhoca parece com lagarta, mas minhoca e minhoca e lagarta é lagarta. São duas coisas distintas.”, afirmou.

Se observar bem, todas as políticas da direita, em todas as áreas, tem sempre esse viés: punição máxima para os pobres e blindagem e privilégio para os ricos.

Carta Campinas

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