Poema de Carlos Drummond de Andrade inspira solo teatral da atriz Graziele Garbuio

(imagem Mauro Machado – divulgação)

Qual o paradeiro de Luísa Porto? Personagem emblemática da consciência criativa de Carlos Drummond de Andrade, a mulher, que habitava a Rua dos Santos Óleos, pode ser atualmente encontrada no palco. Fruto da inquietação e do fascínio da atriz Graziele Garbuio pelo poeta mineiro, solo teatral O Desaparecimento de Luísa se torna um convite para reviver em cena o tal mistério do sumiço. A temporada de estreia acontece sábado (18/10), às 20h, e domingo (19/10), às 19h30, no Teatro Barracão, em Campinas. Os ingressos são no chapéu (contribuição espontânea da plateia).

A circulação do espetáculo faz parte do projeto Ações para não Desaparecer, contemplado pelo Edital Produção e Temporada de Espetáculo Teatral Inédito, do ProAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas, do Governo do Estado de São Paulo. Além de 12 apresentações do solo por diversas cidades do interior e do litoral de São Paulo, com recursos de acessibilidade em Libras e Audiodescrição, a ação prevê a realização da oficina Metáfora Mulher: técnicas de atuação e representação cênica de textos líricos numa perspectiva de gênero.

A semente do solo, que tem concepção, direção e atuação assinadas pela atriz Graziele Garbuio, foi lançada em março de 2024. Na ocasião, a artista começou o processo de pesquisa em sala de ensaio para encenar o poema Desaparecimento de Luísa Porto do poeta mineiro, que a atriz pesquisa desde 2018, quando ingressou na Pós-graduação em Artes da Cena, do Instituto de Artes, da Unicamp. “Este poema sempre teve um impacto muito grande em mim. Emocional mesmo! Por essa razão, entendi que queria representá-lo no teatro. O estudo que comecei sozinha virou projeto de espetáculo, e aqui estamos, com um trabalho original”, destaca Graziele.

Para transformá-lo em texto teatral, a atriz convidou Gabriela Guinatti, escritora, dramaturga e diretora teatral. A tarefa não foi nada fácil, reconhece a artista. “O maior desafio de adaptar um poema para a cena é que, ao fazer essa adaptação, precisamos encontrar nas entrelinhas do poema a ação que desencadeia a próxima, e assim sucessivamente, pois é dessa forma que se constrói um texto dramatúrgico. O poema parte do subjetivo, de uma palavra colocada para contemplar uma sensação. Já no texto dramatúrgico, é preciso que a palavra se some a uma ação, para que dela surja o movimento, a ação em si”, conta.

Apesar da grande inspiração pelo poema, a dramaturgia em cena é fruto de um intenso processo criativo e coletivo, que resultou em uma fábula totalmente original, mas com características muito presentes na obra drummondiana, entre elas a ironia, a criação de imagens metafóricas, o ato de dizer sem dizer e o compromisso crítico da arte. “Esse texto foi construído pensando em cada palavra. Quando a gente faz esse trabalho artesanal com a palavra no texto teatral, acaba tomando apreço por cada vírgula que está ali”, avalia Gabriela.

Na cena, a atriz Graziele Garbuio interpreta diversas personagens, como Maria, a mãe, e Rita, a melhor amiga de Luísa. “Esses são os desafios da atuação e da encenação. Da atuação, porque necessito construir qualidades diferentes para cada uma delas, em transições rápidas. Da encenação, porque precisamos que todos os elementos do espetáculo, como som, luz e figurino, por exemplo, colaborem para construir essas transformações”, pontua Graziele.

Ao longo da narrativa, o solo busca despertar diversas sensações no íntimo do espectador. Graziele dá spoilers: qualidades de emoção e reflexão. “A trama apresenta um mistério e mostra como ele se entrelaça com a particularidade dos indivíduos e suas histórias pessoais. É possível que cada espectador saia da peça com um pensamento próprio, uma percepção única. Ou, melhor dizendo, é possível que nossa história ecoe em cada um de um jeito diferente”, completa.

Mas, afinal, quem é Luísa? A atriz e dramaturga concordam: uma das tantas mulheres que existem por aqui, pelo mundo. Uma mulher que tem mãe, que tem amiga, que tem sonhos. E quais perguntas sua travessia deixa ao íntimo do espectador? “São profundas, complexas e abrangentes, como: por que determinadas coisas acontecem com determinadas pessoas? Por que escolhemos viver de uma forma e não de outra? Ou por que tratamos certas situações da vida e determinadas relações de um jeito e não de outro?”, instiga a atriz.

 SINOPSE

Livremente inspirado no poema Desaparecimento de Luísa Porto, de Carlos Drummond de Andrade, a trama narra episódios que envolvem a vida de Luísa, sua mãe Maria e sua melhor amiga Rita. Numa manhã que poderia ser como outra qualquer, um acontecimento inesperado mergulha a vida destas mulheres em profundo mistério.

FICHA TÉCNICA

Concepção, Direção e Atuação: Graziele Garbuio

Texto: Gabriela Guinatti

Trilha Sonora e Composição: Felipe Macedo

Direção Musical e Preparação Vocal: Marcelo Onofri

Assistência em Direção Cênica: Tiche Vianna

Preparação Corporal: Ana Carolina Salomão

Iluminação: Eduardo Albergaria

Figurino e caracterização: Graziele Garbuio

Design gráfico: Renan Villela

Fotografia: Mauro Machado – Estúdio Câmera 55

Coordenação geral: Graziele Garbuio

Classificação indicativa: 16 anos

Duração: 60 min

 

SAIBA MAIS

O quê: O Desaparecimento de Luísa, solo de Graziela Garbuio
Quando: 
Sábado (18/10), às 20h, e domingo (19/10), às 19h30

Onde:  Teatro Barracão (Rua Eduardo Modesto, 128, Vila Santa Isabel, em Barão Geraldo, Campinas/SP)
Quanto: Ingresso no chapéu (contribuição espontânea)
Importante: Na apresentação de sábado (18/10), haverá acessibilidade em Audiodescrição.
Informações: @teatrobarracaocampinas

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