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Exposição celebra atabaques e tambores como instrumentos de identidade afro-brasileira

(reprodução instagram)

Durante décadas, tambores e atabaques foram apreendidos, criminalizados e silenciados como parte da repressão às religiões afro-brasileiras. Agora, esses instrumentos ganham o protagonismo, reconhecidos como arquivos vivos de cultura, fé e resistência.

A nova exposição do Projeto Omodé, que circula por várias cidades paulistas e pode ser visitada na Estação Cultura, em Campinas, até 7 de julho, recoloca os tambores rituais no centro da reflexão sobre o racismo religioso, a intolerância, o apagamento cultural e a importância dos povos banto na formação do Brasil.

Intitulada “Atabaque: da árvore à escassez da madeira, o couro repousa protegido perpetuado nos terreiros e tablados”, a mostra tem curadoria de Jéssica Martins e reúne painéis com informações históricas, fotos, máscaras, esculturas, ilustrações e, claro, os instrumentos, alguns vindos diretamente da África.

Provas de delito

Os tambores, segundo os organizadores da exposição, não são apenas guardiões de ritos, mas testemunhos de silenciamentos e também de insurgências. Lembram que entre os anos 1920 e 1930, mesmo com o Estado laico já garantido pela Constituição de 1891, religiões como umbanda e candomblé eram perseguidas como se fossem crimes.

Velas, imagens, indumentárias e tambores foram apreendidos pela polícia e, por quase um século, mantidos como “provas de delito” no acervo do Museu da Polícia do Rio de Janeiro. Só em 2021, após intensa mobilização do movimento “Liberte Nosso Sagrado”, 519 peças foram finalmente reconhecidas como patrimônio e transferidas ao Museu da República.

“Mais do que uma homenagem, a exposição é um convite à reflexão sobre as camadas de resistência que vibram em cada batida, em cada couro tensionado que sobreviveu ao corte, ao fogo e ao silêncio forçado”, afirmam. (Com informações de divulgação)

Serviço

Data: até 7/7
Horário: das 8h às 22h
Local: Estação Cultura
Endereço: Praça Marechal Floriano Peixoto, s/nº, Centro, Campinas-SP
Ingressos: entrada gratuita

Cultura Carta

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