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Brasileiros sem religião crescem e atingem quase 10% da população

(foto Maksim Goncharenok – ilustr.- ccl)

Os brasileiros sem religião, que incluem qualquer pessoa que não se identifica com nenhuma denominação e aquelas que não têm qualquer fé (ateus e agnósticos), cresceram de 7,9%, em 2010, para 9,3%, em 2022, o que equivale atualmente a cerca de 20 milhões de pessoas. Os dados são do Censo 2022, divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Se a pessoa se declara sem religião, a gente registra que é sem religião, mas não tem uma pergunta que busque especificar por que motivo a pessoa se declarou sem religião”, afirma o pesquisador do IBGE Bruno Perez.

Apesar do crescimento, o Brasil está abaixo da média mundial, com cerca de 16%. E bem abaixo de países desenvolvidos. Os países com maior índice de pessoas sem religião incluem a China (61%), a Austrália (68%), o Reino Unido (42%), a Coreia do Sul (41%) e a Alemanha (40%).

Outro fenômeno percebido pela pesquisa do IBGE foi o crescimento das religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé, que passaram de 0,3% em 2010 para 1% em 2022. Apesar de ser um índice baixo, representou um aumento de mais de 300%.

“Um movimento tem sido feito nos últimos contra a intolerância religiosa. E essas pessoas estão se colocando como umbandistas, candomblecistas, estão se voltando para essa religiosidade. A gente pode ter também uma migração das pessoas [que já seguiam essas religiões, mas] que se declaravam como espíritas ou como católicas, em função do medo ou da vergonha de se declararem como umbandistas ou candomblecistas”, destaca a pesquisadora Maria Goreth.

O levantamento mostrou também que 26,9% dos brasileiros, ou seja, mais de um quarto da população, se identificavam como seguidores de religiões evangélicas. Por outro lado, os católicos apostólicos romanos recuaram no país, de 65%, em 2010, para 56,7%, em 2022. A queda da participação dos católicos no total da população do Brasil vem sendo registrada em toda a série histórica do levantamento, iniciada em 1872.

Naquele ano, por exemplo, eles representavam a quase totalidade da população (99,7%). Em 2000, passaram a ser três quartos da população (74,1%), chegando a dois terços em 2010 e se aproximando da metade, em 2022.

O Censo mostrou ainda o crescimento de pessoas que declaram ter outras religiosidades (como judaísmo, islamismo, budismo, tradições esotéricas ou várias religiões), que passaram de 2,7%, em 2010, para 4%, em 2022; e tradições indígenas (de 0 para 0,1% no período).

Os espíritas, por outro lado, reduziram sua presença na matriz religiosa brasileira, passando de 2,1% para 1,8%, entre os dois censos. (Com informações da Agência Brasil)

Carta Campinas

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