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Base de Dário na Câmara aprova aumento de 60% para presidentes de autarquias; oposição critica supersalários

(foto câmara municipal)

Em uma longa jornada legislativa marcada por polêmica, intensos debates e forte resistência da oposição, a Câmara Municipal de Campinas aprovou nesta quinta-feira (8) três Projetos de Lei Complementar do prefeito Dário Saadi (Republicanos) que reajustam em 60% os salários dos presidentes de autarquias municipais. As votações ocorreram em seis sessões extraordinárias consecutivas, que somaram mais de cinco horas de discussão.

Os projetos aprovados estabelecem o novo subsídio mensal de R$ 37.082,36 – quase R$ 14 mil a mais que os atuais R$ 23.246,08 – para os dirigentes da Rede Mário Gatti de Urgência e Emergência, do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Campinas (Camprev) e da Fundação José Pedro de Oliveira (FJPO), que administra a Mata de Santa Genebra. O reajuste vale a partir de 1º de janeiro de 2025.

Parlamentares de partidos como PT, PSOL e PCdoB se manifestaram de forma veemente contra o reajuste, classificando-o como injustificável diante da situação dos serviços públicos municipais e dos baixos reajustes concedidos aos servidores de base. “Enquanto os servidores recebem apenas 3% ou 4% parcelado, esses cargos terão um aumento de 60%. Em junho, cada presidente vai receber R$ 84 mil de aumento retroativo. Um verdadeiro absurdo”, afirmou a vereadora Guida Calixto (PT).

Mariana Conti (PSOL) também criticou duramente a medida, que classificou como “um verdadeiro escárnio contra a população”. Sua companheira de bancada, Fernanda Souto (PSOL), também destacou a disparidade entre os aumentos concedidos: “É inadmissível que, enquanto os servidores clamam por reajustes dignos e os serviços públicos estejam abandonados, o prefeito Dário Saadi decida aumentar ainda mais os salários do alto escalão. A população de Campinas não aguenta mais ver o orçamento sendo direcionado ao privilégio de poucos”.

A vereadora Paolla Miguel (PT) afirmou que o aumento para os presidentes de autarquias, “aliados políticos” do prefeito, não é a prioridade de Campinas. Na mesma linha, Gustavo Petta (PCdoB) argumentou que a votação é uma “inversão de prioridades”: “Enquanto enfrentamos problemas básicos na saúde e educação, a base da gestão Dário aprovou supersalários com 60% de aumento e pagamento retroativo. Um golpe duríssimo ao orçamento público da cidade”.

O vereador Wagner Romão (PT), ausente por estar em um congresso acadêmico em Brasília, justificou que a convocação extraordinária da sessão, após requerimento assinado por 18 vereadores da base governista, fora do calendário ordinário, inviabilizou sua participação. “Desde o início, me posicionei contra o projeto dos supersalários. Nosso mandato segue denunciando e lutando contra medidas que ferem a responsabilidade com o dinheiro público e aprofundam desigualdades”, se manifestou em rede social.

A justificativa do Executivo para o aumento é a de manter a isonomia entre cargos de natureza semelhante na administração municipal, preservando a equiparação salarial entre os presidentes das autarquias e os secretários municipais, conforme lei municipal. Os projetos foram aprovados em dois turnos e seguem agora para sanção do prefeito Dário Saadi. Os presidentes das três autarquias municipais de Campinas que tiveram seus subsídios reajustados são Sérgio Bisogni (Mário Gatti), Henrique Romanini Subi (Camprev) e Rogério Menezes de Mello (Fundação José Pedro de Oliveira).

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