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Cineasta campineira resgata memórias do pai, torturado pela ditadura, e expõe traumas de ontem e de hoje

(imagem reprodução)

Uma cicatriz não é apenas um traço disforme na pele; ela pode ser um marco que guarda histórias profundas, às vezes de um homem, às vezes de um país inteiro. Desde pequena, Débora ficava intrigada com a cicatriz do pai, Claudinei, mas as explicações nunca a deixavam satisfeita. Muitos anos depois, a busca por respostas sobre esse passado deu origem ao documentário “Cicatriz”, que chega ao público de Campinas em março com uma proposta urgente e necessária: refletir sobre os impactos da violência institucionalizada, a importância da memória e o direito à liberdade.

Partindo da história pessoal de seu pai, ex-preso político da ditadura militar, Débora Castro lança um olhar mais amplo sobre traumas históricos e suas reverberações na sociedade atual, entrelaçando o passado com a luta atual de uma nova geração, filhos e netos que carregam a missão de manter viva a memória das vítimas do regime autoritário.

“Este documentário é uma jornada de resgate, reconhecimento e resistência contra o esquecimento”, diz Débora, cujo trabalho também estabelece conexões com o presente, trazendo depoimentos de jovens em medidas socioeducativas. “A presença desses adolescentes no filme evidencia como estruturas de repressão e exclusão ainda operam nos dias de hoje”, afirma.

A estreia será no dia 9 de março no Museu da Imagem e do Som de Campinas (MIS), às 19h30. No dia 20, o documentário será apresentado na Casa de Cultura Aquarela, no mesmo horário, também com entrada gratuita.

“Cicatriz” é também um convite ao diálogo e à reflexão sobre cidadania e direitos humanos. Para estimular esse debate, após as exibições, haverá uma roda de conversa sobre o filme com a diretora e seu irmão, Leonel Cabral, psicólogo clínico que também é personagem do filme, especialista no tratamento da dependência química, com formação em tratamento de Transtorno de Estresse Pós-Traumático e supervisor institucional em programas de medida socioeducativa.

‘Ainda Estou Aqui’

A idealização e produção do documentário “Cicatriz” começou muito antes do sucesso de “Ainda Estou Aqui”, filme de Walter Salles inspirado no livro de mesmo nome de Marcelo Rubens Paiva, e Débora celebra a feliz coincidência de seu filme estrear em data tão próxima do Oscar.

“Além do orgulho pelas três indicações ao Oscar de ‘Ainda Estou Aqui’, esse sucesso todo mostra a importância do tema. O que ‘Cicatriz’ tem em comum com o indicado? Ambos falam da brutalidade da ditadura”, resume a diretora. “Mais que a história do meu pai, o filme fala da história do país e relata a violência do Estado na ditadura e também nos dias atuais. Trazer à tona essa memória e esclarecer os traumas deixados nas famílias e no Brasil, é importante para que esse cenário nunca mais se repita”, acrescenta Débora. (Com informações de divulgação)

Serviço

Data: 9/3 (domingo, estreia) e 29/3
Horário: 19h30
Local: Museu da Imagem e do Som de Campinas – MIS
Endereço: Rua Regente Feijó 859, Centro, Campinas-SP
Ingressos: entrada gratuita

Data: 20/3
Horário: 19h30
Local: Casa de Cultura Aquarela
Endereço – R. Antônio Carlos Neves, 338, Chácaras Campos Elíseos, Campinas-SP
Ingressos: entrada gratuita

Mais informações: pelo Instagram @cicatriz.doc

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