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Professor da Unicamp olha a China além dos clichês e estereótipos em livro de viagem durante pandemia

Poucos meses antes do turbilhão global causado pela pandemia de Covid-19 em 2020, Francisco Foot Hardman, professor titular de Literatura e Outras Produções Culturais na Unicamp, embarcou em uma jornada acadêmica para a China como visitante na Universidade de Pequim. As experiências vividas neste mergulho na cultura do país em um período histórico singular são contadas no livro de viagem “Minha China Tropical”, que acaba de ser lançado pela Editora Unesp.

O autor, porém, não se limita à crônica da pandemia. Hardman relata encontros e reflexões sobre as diferenças culturais que enriquecem a compreensão da experiência humana. Ao explorar mercados movimentados, contemplar o movimento dos praticantes de tai chi chuan em parques e adentrar no modo de vida chinês, ele convida a enxergar a China com uma nova perspectiva, livre de preconceitos.

“Quando Gilberto Freyre, sem nunca ter visitado aquele país, premonitoriamente, ainda nos anos 50 do século passado, falou em China tropical, estava atento a afinidades interculturais imprevistas e, talvez, a utopias imagináveis. Hoje, passados mais de 60 anos de suas quase provocações, e a propósito da passagem do centenário do estabelecimento de relações diplomáticas regulares entre a República Popular da China e o Brasil, o desafio de maior aproximação e superação de clichês e estereótipos permanece”, afirma na apresentação da edição brasileira.

China e Brasil, acredita Hardman, têm muito a aprender e ensinar um ao outro. “Nossos povos fazem enorme diferença no mundo. A cooperação criativa nos une. Sob o signo da poesia, da história e da cultura, China e Brasil podem unir esforços para fazer da Terra a casa comum de vidas dignas de serem vividas”, escreve.

As crônicas do livro, diz, “são pequenas cápsulas espaciais que tentaram atravessar esse tempo difícil olhando as cenas que nos fazem confiantes de que é possível apostar, apesar de tantos obstáculos, na igualdade entre os povos, na solidariedade e amizade”.

Esse não é o primeiro livro de Hardman sobre a China e viagens. Publicou “Meu Diário da China: a China Atual aos Olhos de um Brasileiro” (pku Press) em 2021 e “Ai Qing: Viagem à América do Sul (Ed. Unesp), em colaboração com Fan Xing, em 2019. Também é autor de “Nem Pátria, Nem Patrão!” (Ed. Unesp, 2002, com edição ampliada em 2024), “A Vingança da Hileia” (Ed. Unesp, 2009, com nova edição em 2023), “Trem-fantasma” (Cia. das Letras, 2005) e “A Ideologia Paulista e os Eternos Modernistas (Ed. Unesp, 2022).

(com informações de divulgação)

Carta Campinas

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