Categories: Geral

Guarda municipal ameaça jogar granada durante evento de hip hop em praça central de Campinas

(foto: reprodução/instagram)

Na noite do último sábado (13), a Batalha do Cálice, tradicional evento do movimento hip hop de Campinas, acabou com ameaças feitas por um guarda municipal de que iria jogar uma “granada de lacrimogêneo” se o encontro não fosse encerrado. A 200ª edição da batalha de rimas estava sendo realizada no Largo do Pará e, segundo os organizadores, cerca de 500 pessoas estavam no local.

A cena foi registrada por um participante e, ao perceber que estava sendo gravado, o GM chegou a dar um tapa no equipamento para evitar a filmagem. A abordagem truculenta ocorreu por volta das 21h15 e teria sido motivada por reclamações de som alto.

O Coletivo Baileyarte cobrou explicações do prefeito Dario Saadi (Republicanos): “A juventude e a comunidade hip hop é expulsa de praça pública e agredida e ameaçada pela GM. É inadmissível que você enquanto prefeito não se manifeste e tome medidas necessárias para resolver essa situação. O rap não é crime, nós temos o direito de estar nas ruas, seja no Centro ou onde for. Cultura é um direito, estar em espaços públicos também”.

A vereadora Paolla Miguel (PT) também criticou a ação em seu perfil no Instagram. “Na última cidade a abolir a escravidão no Brasil, a juventude negra e suas expressões culturais ainda enfrentam um enorme desafio para ocupar seus espaços de direito. Isso às vésperas das comemorações dos 250 anos de Campinas. Essa cidade tem uma dívida enorme com o povo preto”, afirmou.

“Como presidenta da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara Municipal, abrimos aquele espaço para mediar o diálogo entre os movimentos e a Prefeitura para evitar novos episódios lamentáveis como esse. Esse tipo de postura de agentes de segurança não pode ser tolerada, especialmente contra uma juventude negra que expressava sua arte de forma pacífica, organizada e com as devidas autorizações do Poder Público”, acrescentou.

O público que lotava a praça permaneceu em silêncio durante a intervenção do GM e desocupou o local. Muitos tinham vindo de outras cidades para participar e assistir à batalha de rimas, oficina de skate, breaking dance e shows.

O episódio, ironicamente, acontece depois de duas grandes conquistas do movimento hip hop na cidade. No último dia 18 de junho, o Dia Municipal da Batalha de Rima – a ser comemorado em 22 de fevereiro – se tornou lei e entrou para o calendário da cidade. Em 5 de julho, foi oficialmente inaugurada a Casa do Hip Hop.

Carta Campinas

Recent Posts

108 cursos de medicina foram reprovados no Enamed e serão supervisionados pelo MEC

(foto fernando frazão - ag brasil) A primeira edição Exame Nacional de Avaliação da Formação…

10 hours ago

Comédia farsesca ‘Entre a Cruz e os Canibais’ revê o mito dos bandeirantes e as origens de São Paulo

(foto heloisa bortz - divulgação) Em São Paulo - O diretor e dramaturgo Marcos Damigo…

16 hours ago

Plataforma gratuita de streaming, Tela Brasil, será lançada neste semestre

(imagens divulgação) Concebida pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura em parceria com a…

1 day ago

Bloco Vermelho ganha as ruas com samba-enredo próprio no Carnaval 2026

(imagem divulgação) Pela primeira vez em sua história, o Bloco Vermelho, que foi criado em…

2 days ago

Cientista brasileiro nomeado para a OMS precisou de escolta armada durante o governo Bolsonaro

(foto fiocruz amazônia) O médico infectologista da Fiocruz, Marcus Vinicius Guimarães Lacerda, que foi nomeado…

3 days ago

Vem aí: Festival A Rua É Nóis vai ocupar a Estação Cultura com rap, funk, reggae e rock

Brunna, idealizadora do “O Funk Ensina" (foto reprodução - instagram) O Festival A Rua É…

4 days ago