Extrema direita faz agronegócio perder mercado de US$ 200 bilhões

(imagem crystalweed -upl)

A aproximação de setores do agronegócio com a extrema direita brasileira e com setores reacionários evangélicos da sociedade faz o setor perder bilhões de dólares por ano. Ao mesmo tempo, o agro se afunda na criminalidade buscando aumentar o lucro escravizando trabalhadores e destruindo leis de proteção ao trabalho.

A forte ligação de setores do agronegócio com os extremistas ficou comprovada nas ações que precederam a tentativa de golpe de 8 de janeiro, além de toda a atuação conservadora do setor no Congresso Nacional.

Enquanto as lideranças do agronegócio seguem entorpecidas e guiadas por pastores evangélicos extremistas de direita, que buscam poder e privilégios governamentais, o mundo faz uma revolução com a produção e comercialização de inúmeros medicamentos e produtos derivados da planta da maconha, melhorando a vida de milhares de pessoas pelo mundo.

A maconha já é uma commodity com receita global que deve atingir US$ 200 bilhões no final dessa década, um mercado tabu para o agronegócio brasileiro que prefere economizar um salário mínimo escravizando trabalhadores. Essa é doutrina do reacionarismo evangélico, da extrema direita e dos setores conservadores: conservar o mundo como no tempo da escravidão e criar tabus e mitos para enganar a população.

O agronegócio brasileiro está fora desse mercado gigantesco. De acordo com a revista Forbes, o mercado legal de cannabis só nos Estados Unidos, que engloba o uso medicinal e o recreativo, está preparado para alcançar US$ 45 bilhões (R$ 219,6 bilhões cotação atual) em vendas até 2027. “A indústria global de cannabis legal, como um todo, é prevista para chegar a US$ 36,7 bilhões (R$ 179,1 bilhões) neste ano, com 80% das vendas provenientes do mercado norte-americano”, anota areportagem.

É um mercado em total expansão e legalização. Somente na área de medicamentos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu o aval para a comercialização de produtos à base de Cannabis nas farmácias e drogarias brasileiras, por meio da Resolução 327/2019. Esse foi um passo importante na busca pela consolidação de tratamentos à base da planta no Brasil. Hoje, já são 21 produtos de Cannabis medicinal registrados pela Anvisa. Os mais recentes foram aprovados em maio de 2022, segundo site especializado. Uma planta que está ajudando milhares de pessoas com problemas de saúde graves. No Brasil, praticamente tudo que poderia ser produzido aqui é importado.

Além dos novos produtos medicinais que surgem a cada ano, milhares de produtos de uso recreativo também poderão ser produzidos respeitando a legislação aprovada em cada país. Além disso, o agroindústria é capaz de produzir uma infinidade de produtos com o cânhamo, a fibra da maconha, como cerveja, creme, leite, sapato, corda, óleo, sabão, cimento e outros. Veja lista. É uma planta que se aproveita tudo, da flor à raiz.

A Europa também avança com a legalização da maconha. O Parlamento alemão aprovou na sexta-feira (23) nova lei que permite o uso recreativo de maconha para os maiores de 18 anos. O uso em espaços públicos será permitido a partir de 1º de abril e o limite para posse será de 25 gramas nas ruas e 50 gramas nas residências. Além disso, será possível cultivar até três plantas para uso pessoal. ‘A partir de 1º de julho, os chamados “clubes sociais de cannabis” poderão cultivar e vender maconha para seus membros, no limite de 500 pessoas. Eles poderão comprar até 50 gramas por mês, ou 30 gramas, para quem tem entre 18 e 21 anos. O Objetivo é conter o tráfico de drogas.

É um mercado bilionário que o Brasil está perdendo. Vários países estão avançando na legislação e gera uma grande oportunidade para o agronegócio. ‘Na Espanha e nos Países Baixos, o consumo de maconha para fins recreativos é permitido, desde que aconteça em casa ou em ambientes específicos – as coffee shops. E, no México, uma decisão da Suprema Corte de 2021 descriminalizou o uso adulto da planta. Desde então, o Congresso mexicano debate uma lei para regulamentar o mercado’,(link).

A lógica desse grupo de extrema direita é legalizar a escravidão, para explorar a miséria do ser humano, ao mesmo tempo em que perdem bilhões de dólares com um mercado que se abre no mundo inteiro. Como o projeto econômico da extrema direita é manter a desigualdade e os privilégios, a utilização de tabus é fundamental para se manterem no poder.

Carta Campinas

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