Religiosos vão arrancar R$ 1 bilhão/ano da população com nova isenção de imposto para igrejas e templos

(foto vídeo – cam deputados)

O projeto de transformar o Brasil em uma teocracia continua avançando por dentro da democracia, com as frentes de deputados religiosos. As bases estão sendo dadas com grande isenção de impostos. As igrejas e templos não vão pagar impostos de tudo que comprarem se PEC for aprovada.

Do BdF – A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 5/2023, que estende a isenção tributária de igrejas e templos religiosos no país, foi aprovada em comissão especial na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (27). Encabeçada pelo deputado e bispo licenciado da Igreja Universal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), a medida passou por votação simbólica, método em que não há registro eletrônico de votos individuais porque os parlamentares se manifestam apenas por meio de gestos de apoio ou reprovação.

A proposta original de Crivella fixava imunidade também para partidos políticos, sindicatos, instituições de educação e assistência social que não sejam voltadas para fins lucrativos, mas o relator da PEC na comissão, deputado Fernando Máximo (União-RO), retirou essa parte e manteve a dispensa apenas para igrejas. Esse trecho também era mal visto pelo governo Lula, que defendia a sua retirada.

Atualmente, pela Constituição Federal de 1988, igrejas e templos já contam com isenção para patrimônio, renda e serviços que tenham relação com o que se entende por “finalidades essenciais” dessas instituições. O que o texto da PEC faz é estender o benefício para compras de bens e serviços tidos como “necessários” à composição desse patrimônio e da prestação de serviço.

Na prática, significa que essas entidades passarão a ter isenção para tributações indiretas, como é o caso de impostos presentes em contas de energia, materiais de construção e afins. A ideia da proposta é que esse benefício seja operado por meio de uma devolução de créditos dirigida às igrejas.

A PEC prevê que seja aprovada adiante uma lei complementar para definir normas para esse processo de devolução. Além disso, o texto estipula que o Conselho Nacional de Política Fazendária terá até 31 de dezembro de 2025 para fixar detalhes para esse processo de retorno dos valores. Segundo Fernando Máximo, o governo deixará de arrecadar cerca de R$ 1 bilhão em impostos anuais, caso a medida receba aval final do Congresso.

Votação

O colegiado responsável pela PEC tem 43 membros titulares e 23 deles estavam presentes na votação desta terça-feira, segundo os registros do sistema eletrônico da Casa. Dos cinco parlamentares do PT que integram a comissão como titulares, apenas a deputada Denise Pessôa (PT-RS) compareceu. Ela não fez declarações na sessão em relação ao texto.

O texto já havia sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa em setembro do ano passado, quando recebeu voto contrário apenas dos deputados Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Patrus Ananias (PT-MG) e Flávio Nogueira (PT-PI). Com o aval da comissão especial, a PEC será encaminhada agora para avaliação do plenário, onde tem tendência de aprovação, segundo calculam parlamentares de diferentes partidos nos bastidores.

Um dos motivos para a facilidade no fluxo de tramitação do texto é que a proposta recebeu apoio tácito do governo Lula, que decidiu não embarreirar a votação para evitar novos confrontos com a ala evangélica, com a qual a gestão vem enfrentando momentos de conflito. Em janeiro deste ano, por exemplo, a Receita Federal suspendeu a isenção de cobrança de impostos sobre valores recebidos por pastores, medida que foi adotada na gestão Bolsonaro. A mudança gerou amplo desgaste na relação.

Agora, o governo vê a PEC 5/2023 como um meio para tentar ampliar o diálogo com eleitores evangélicos em 2024, ano de eleições municipais – brasileiros adeptos dessa religião representam mais de 20% da população do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). (Cristiane Sampaio – BdF)

Há possibilidade de o texto ser submetido a plenário ainda nesta terça-feira. A bancada evangélica pressiona para que, ao ser rapidamente aprovada, a PEC seja promulgada perto da Semana Santa, uma forma de acenar politicamente para o eleitorado religioso. Quando for analisada pelo plenário, a proposta precisará de um mínimo de 308 votos em dois turnos diferentes de votação para ser chancelada e seguir para apreciação do Senado.

Carta Campinas

View Comments

Recent Posts

Vini de Oliveira, da direita, é condenado por fake news contra flotilha e vereadora

(foto global sumud flotilla) A Justiça condenou o vereador de Campinas Vini de Oliveira (Cidadania)…

8 hours ago

Educadores podem inscrever projetos que fortalecem o diálogo nas escolas até o dia 30 de abril

Professora e intérprete de Libras Michelle Gonçalves Dinamarco, vencedora do concurso em 2025 (imagem divulgação)…

9 hours ago

Coletivo de fortalecimento feminino na literatura marca presença no Flipoços 2026

(imagem divulgação) Coletivo de fortalecimento feminino através da literatura marca presença no Flipoços 2026 com…

9 hours ago

Projeto quer a população na gestão e decisões sobre parques e áreas verdes de Campinas

Bosque dos Jequitibás (foto rogério capela - arquivo pmc) Um Projeto de Lei Ordinária (PLO)…

10 hours ago

Bolsonarinho 01 tem plano de congelar investimentos em educação e saúde da população

(foto pedro frança - senado federal) O Bolsonarinho 01 (PL) , o filho mais velho…

13 hours ago

Casa do Sol abre as portas para a terceira edição das Hilstianas; confira a programação

(foto nina pires - divulgação) A Casa do Sol, em Campinas, se transforma novamente em…

14 hours ago