Fazendeiros que financiaram a tentativa de golpe precisam ter suas terras desapropriadas para Reforma Agrária

fazendas reforma agrária
(Foto por Marko Milivojevic de pxn)

Entre os 61 nomes sugeridos para indiciamento pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), relatora da CPMI da tentativa de golpe de Estado de 01 de janeiro, 16 foram considerados financiadores. Entre eles, o site De Olho nos Ruralistas constatou que 13 são fazendeiros, em boa parte ligados a grupos de poder do agronegócio: quatro líderes nacionais regionais da Aprosoja, entre elas as principais, a Aprosoja Brasil e Aprosoja Mato Grosso, e outros representantes de sindicatos rurais e outras associações setoriais. Todos deveriam ter suas terras investigadas e desapropriadas para a Reforma Agrária para evitar que os recursos voltem a financiar atos terroristas e golpistas. A reportagem do site é de Alceu Luís Castilho, Tonsk Fialho e Carolina Bataier. Veja trecho:

Os produtores de soja são acusados de dar suporte logístico e financeiro para as manifestações que tentaram reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022, segundo o Relatório Final apresentado pela senadora Eliziane Gama. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) identificou fazendeiros que vinham se organizando, pelo menos desde 2019, a fim de consolidar um movimento do agronegócio em apoio ao então presidente Jair Bolsonaro.

Sob a liderança de Antônio Galvan, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja), o Movimento Brasil Verde e Amarelo (MBVA) foi apontado como responsável por duas das frentes de deslegitimação do resultado eleitoral em 2022: os bloqueios rodoviários e o deslocamento de caminhões em comboio com destino ao Quartel General do Exército em Brasília. Entre os líderes indiciados estão Galvan, três presidentes e vice-presidentes estaduais da Aprosoja.

No ano do início de suas atividades, em 2019, o MBVA foi responsável pelo desfile de tratores durante as comemorações do 07 de setembro. Em maio de 2021, o movimento estampava a seguinte mensagem em caminhões levados a Brasília durante uma manifestação pró-governo: “Faça o que for preciso! Eu autorizo, Presidente!”

A escalada na radicalização do discurso do MBVA, segundo a Abin, levou o grupo de fazendeiros a organizar bloqueios rodoviários e atos em portas de quartéis pedindo intervenção militar após a derrota de Bolsonaro nas urnas. Pelas condutas investigadas durante a CPMI dos Atos Golpistas, os líderes do movimento foram indiciados por associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de estado.

Antônio Galvan é amigo pessoal e financiador de campanha de Jair Bolsonaro. Multado por desmatar 500 campos de futebol de vegetação nativa, Galvan é proprietário de pelo menos 3.922 hectares de terras no Mato Grosso, estado por onde tentou se eleger senador no ano passado, sem sucesso. A CPMI sugeriu também o indiciamento de Joel Ragagnin, presidente da Aprosoja em Goiás, Lucas Luis Costa Beber, vice-presidente da Aprosoja no Mato Grosso, e Alan Juliani, presidente da Aprosoja na Bahia durante os biênios 2017/2019 e 2019/2021.

No Mato Grosso do Sul, a Aprosoja foi citada como apoiadora de manifestações contra o resultado das eleições presidenciais. Segundo o Relatório Final da CPMI, o Sistema Famasul, que congrega 69 sindicatos rurais e a Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), informou, em comunicado nas redes sociais do dia 07 de novembro de 2023, que não teve expediente em apoio às manifestações “pacíficas e ordeiras”, segundo ela, que ocorriam no país. Naquele dia, os organizadores dos atos golpistas divulgaram um chamado para greve geral contra a instalação do comunismo. (Veja texto Completo AQUI)


Discover more from Carta Campinas

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Comente