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Em Cuba, 84% dos registros de patentes concedidos contam com pelo menos uma mulher

(foto rey lopes – dp)

O extremismo cubano para as sociedades patriarcais se mostra de forma patente na pesquisa científica e também no baixo índice de violência contra as mulheres, assim como o baixo índice de violência na sociedade cubana como um todo.

Artigo publicado em agosto de 2020 na revista Scientometrics mostrou a forte presença feminina na produção científica do país. Em Cuba, 84% dos registros de patente concedidos contavam com pelo menos uma mulher na lista dos inventores. Na sociedade patriarcal brasileira, dos 1.243 registros brasileiros, só 229 tinham mulheres entre os solicitantes, 18,4% do total, mas à frente de Panamá e Peru, que apresentaram as menores proporções femininas: 7% e 6%.

O trabalho que avaliou o gênero na concessão de patentes, divulgado em reportagem da Pesquisa Fapesp, compilou 3.081 registros aprovados pelo Escritório de Patentes dos Estados Unidos (Uspto) entre 1976 e 2011, analisando o campo do conhecimento a que pertenciam e o gênero dos inventores. Vale lembrar que Cuba foi o único país da América Latina a produzir uma vacina totalmente nacional contra a Covid-19.

Cuba também ocupa uma das melhores colocações no ranking que mede a desigualdade de gênero, o que é um marco para um país da América Latina. Estudo do Fórum Econômico Mundial colocou Cuba na 23ª posição. A situação brasileira foi classificada na posição 95°.”O índice mede o oferecimento de oportunidades a mulheres na economia, na política e na educação e a participação feminina nessas instâncias, bem como a saúde e a expectativa de vida. O dado que puxa Cuba pra cima é o mesmo que empurra o Brasil pra baixo: o poder político. Mais da metade do parlamento cubano hoje é composto por mulheres”, anota Melina Bassoli.

Ela também lembra outra conquista importante das mulheres cubanas que é a legalização do aborto. Nenhuma mulher é criminalizada por ter necessidade de fazer um aborto em Cuba. O país foi o primeiro país da América Latina a legalizar o aborto sem restrições, em 1965. Demorou quase 50 anos para outro país da região dar esse direito às mulheres: o Uruguai, em 2012. O Brasil, pelo contrário, tenta criminalizar ainda mais as mulheres nos últimos anos com a presença de partidos políticos de organizações religiosas conservadoras e corruptas.

Em relação à ciência, um oásis no Brasil é a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pesquisa realizada pelo Inova UFRJ, núcleo de inovação tecnológica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, apurou que, entre os anos de 2017 e 2021, 87% dos pedidos de patentes formulados pela instituição têm ao menos uma mulher listada entre os inventores. Reportagem da Agência Brasil revela que UFRJ concentra também a maior proporção de mulheres inventoras em patentes, 46%, nos cinco anos pesquisados.  “Considerando que, no período de cinco anos, as inventoras têm uma parte de 87% das patentes, só por isso já é um ganho gigante”, disse a diretora do Inova UFRJ, Kelyane Silva,  sobre o primeiro estudo realizado por uma universidade brasileira com o objetivo de mapear a situação das mulheres em relação às patentes.

Carta Campinas

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